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CNI prevê 1º trimestre fraco para a indústria

Os dados das sondagem industriais divulgadas em janeiro confirmam que o primeiro trimestre será fraco para a produção industrial. Esta é a avaliação do economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Mol. Segundo ele, a sondagem divulgada hoje pela Fundação Getúlio Vargas e a que foi realizada pela própria CNI, ambas relativas às expectativas para o primeiro trimestre, deixam claro que "o primeiro trimestre será desaquecido, porque a prioridade dos empresários não é produzir, mas reduzir estoques". Isso porque a indústria errou nas suas projeções de vendas. Ou seja, produziram mais do que venderam. Com estoques mais cheios, o movimento da indústria diminuiu. O economista acredita também que o ajuste de estoques que foi intenso no final do quarto trimestre ainda não terminou. Segundo ele, a intensidade do ajuste de estoques no final do ano passado será confirmada pelos dados da produção industrial de dezembro, a serem divulgados na semana que vem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, as sondagens industriais mostram que o movimento ainda persiste em janeiro. OtimismoMol observa que os empresários começaram 2006 menos otimistas do que estavam no primeiro mês dos anos recentes. Para ele, esse "otimismo menor" reflete o ano de 2005, marcado por um cenário de acomodação e arrefecimento da atividade industrial. "A perspectiva para o futuro acaba influenciada por essa situação do passado", lembra Mol. Para o economista, as expectativas dos empresários da indústria estão influenciadas especialmente por três fatores: carga tributária elevada; juros altos, ainda que em trajetória de queda e, especialmente, a valorização cambial que afeta as grandes empresas, sobretudo dos setores de madeira, vestuário e têxtil. Mol acredita que, apesar das modestas expectativas dos empresários do setor para o primeiro trimestre, haverá manutenção da mão-de-obra, com o fim do ciclo de demissões maiores que contratações ocorrido no segundo semestre do ano passado. Sondagem da FGVOutros institutos já haviam apontado este cenário. A sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o mesmo período apontou que a demanda industrial permaneceu em ritmo lento no quarto trimestre do ano passado. A pesquisa mostra que a parcela dos entrevistados que consideravam como forte o nível de demanda no mercado interno caiu de 13% para 9%, na passagem do terceiro trimestre para o quarto.Os resultados pioram quando o entrevistado foi indagado sobre a situação atual dos negócios. No mesmo período de comparação, caiu de 22% para 16% a parcela dos entrevistados que a consideravam como boa. Além disso, subiu de 19% para 22% os que consideram fraca a situação dos negócios, na passagem do terceiro para o quarto trimestre. IBGE: produção industrial não é animadoraOutra fonte de apuração, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, ainda no quarto trimestre, especificamente no mês de novembro, os dados da produção industrial não foram muito animadores. No mês houve crescimento de 0,6% nas comparações com o mesmo período do ano passado e com outubro - já descontadas as influências sazonais. Apesar de baixo, o resultado veio no piso das estimativas, que iam de 0,57% a 1,60% (mediana de 1%).Técnicos do IBGE observam no documento de divulgação que "os índices para novembro mostram aumento discreto no ritmo produtivo da indústria". No entanto, acrescentam que o resultado não recupera a queda observada na passagem de agosto para setembro (-2,2%). Produção de 2006 pode continuar fracaA produção industrial em 2006 pode continuar fraca, caso as taxas de juros não recuem. Este é o cenário traçado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que espera um crescimento ao redor de 2,5% para a produção industrial em 2005, como é previsto para este ano.O diretor-executivo da entidade, Julio Sergio Gomes de Almeida, avalia, no entanto, que o governo federal está com a "faca e o queijo na mão" para elevar o crescimento para entre 3% e 4% em 2006. Para tanto, o governo deve cuidar do controle de gastos, da manutenção da inflação em patamares baixos, o que permitirá que os cortes de juros sejam mais expressivos.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2006 | 14h11

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