Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

CNI prevê que 2017 será um ano 'duríssimo' para a indústria

A Confederação Nacional da Indústria espera um crescimento de 0,5% no PIB de 2017

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2016 | 17h11

BRASÍLIA - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse que o ano de 2017 será “duríssimo” para a indústria. A previsão da confederação é que a atividade volte a crescer a partir do segundo semestre e suba 0,5% em 2017. A previsão está mais pessimista do que a feita pelo governo oficialmente, que é de alta de 1%.

Andrade evitou fazer críticas ao atual governo, mas disse que o ajuste fiscal não está ajudando a economia a crescer e gerar emprego. “A única forma de fazer reequilíbrio fiscal é pelo gasto, não há espaço para mais carga tributária”, acrescentou.

Ele ressaltou que a reforma da Previdência é fundamental e pediu também que sejam feitas mudanças na legislação trabalhista.

Andrade lembrou que o endividamento das empresas está muito alto e que não há mecanismos para a renegociação de dívidas. Ele defendeu a criação de um programa de reestruturação de débitos tributários das empresas com a União e Estados. “Se não houver equacionamento desses débitos, as empresas não conseguem licenças, financiamentos, nem pagar funcionários”, observou. 

Projeções. Além de esperar um crescimento do PIB de 0,5% no próximo ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um crescimento de 1,3% no PIB industrial em 2017. A projeção é de alta de 2,3% no investimento (formação bruta de capital fixo) e 0,2% no consumo das famílias. A taxa de desemprego projetada é de 12,4%.  

A expectativa da entidade é que a inflação encerre 2017 em 5%, dentro da meta oficial. Os juros foram projetados em 11,93% na média do ano e 10,75% no fim de 2017. A previsão é que o resultado primário seja um déficit correspondente a 2,7% do PIB, com resultado nominal de -9,5% do PIB e dívida bruta em 76,2% do PIB.  

Para o câmbio, a previsão é de média anual de R$ 3,48. A entidade projeta um saldo comercial de US$ 44 bilhões em 2017, com saldo de - US$ 26 bilhões nas transações correntes.  

Previsões de 2016.  A CNI piorou as previsões para a atividade econômica neste ano, que passou de uma queda de 3,1% em outubro para recuo de 3,6%. A projeção para o PIB industrial em 2016 passou de -3,7% para - 3,9%. Também houve piora na estimativa de formação bruta de capital fixo (de - 11% para -11,2%).  

A entidade espera uma inflação menor neste ano, de 6,6%, ante 7,1% previstos anteriormente. Com a arrecadação expressiva de recursos da repatriação, a projeção para o primário também melhorou, de -2,7% para -2,5%. A expectativa é de câmbio médio de R$ 3,48 em 2016, mesma de outubro. Já o saldo comercial esperado para este ano passou de US$ 50 bilhões para US$ 49 bilhões. 

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