ANTONIO MILENA/ESTADÃO
ANTONIO MILENA/ESTADÃO

Quadro industrial é de recessão com queda significativa de todos indicadores, diz CNI

O emprego na indústria teve queda de 1% em abril ante março e marcou o pior resultado desde 2009; para CNI, cenário é 'absolutamente desfavorável'

RACHEL GAMARSKI, O Estado de S. Paulo

02 de junho de 2015 | 12h41

O gerente-executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirmou nesta terça-feira, 2, que o quadro industrial é de recessão com queda significativa de todos os indicadores industriais.

"O conjunto de indicadores divulgados é negativo", observou. O gerente-executivo da entidade afirmou que a situação atual é de desaceleração da demanda não só na indústria, mas também no setor de serviços. "Pode-se ver falta de demanda também no setor de serviços como observado na divulgação do Produto Interno Bruto (PIB)", ressaltou.

A CNI também ressaltou que, para o fim do ano, a tendência é de queda do faturamento real a passos rápidos. O indicador que mostra as horas trabalhadas também apresentou queda e confirma uma tendência na contração da atividade industrial.

Emprego. Castelo Branco afirmou ainda que o ritmo de demissões da indústria cresceu e que o quadro é "absolutamente desfavorável". Segundo os indicadores industriais divulgados nesta terça, o emprego apresentou queda de 1% em abril frente a março. "É o pior resultado para emprego na indústria desde 2009", constatou Castelo Branco.

Segundo o gerente-executivo da CNI, se não houver mudança considerável no emprego industrial, haverá uma queda no indicador ao fim deste ano. "Quadro atual reflete os problemas da economia com a necessidade de reorganização macroeconômica", afirmou ele.

Outro ponto que preocupa da confederação é a contração do investimento. A CNI espera que este movimento aconteça de forma "muito forte". "Para melhorar o quadro precisamos de segurança e melhora do quadro econômico", ressaltou o gerente-executivo.

Selic. De acordo com Castelo Branco, a tendência do Banco Central (BC) na reunião do Comitê de Política Monetária que começa nesta terça é de elevar novamente a Selic, taxa básica de juros. "Postura dos dirigentes do BC não sinaliza interrupção do ciclo e nem mudança no ritmo de elevação de juros", afirmou.

O representante da confederação ressaltou ainda a influencia negativa de uma nova elevação da taxa Selic na indústria. "A alta no juros impacta negativamente na atividade industrial. Precisamos de outros instrumentos além do monetário para direcionar a inflação para a meta", observou Castelo Branco. De acordo com o economista da entidade, o objetivo do BC com a elevação dos juros é reduzir a demanda para controlar a inflação. "A demanda está caindo", finalizou.

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