CNI: recuperação da indústria ainda não se consolidou

O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirmou hoje que ainda não está solidificado um cenário de recuperação na atividade industrial. Ele disse acreditar que só haverá uma recuperação no segundo semestre deste ano.

RENATA VERÍSSIMO, Agencia Estado

04 de junho de 2009 | 13h20

Castelo Branco afirmou que isso poderá ser percebido quando os indicadores industriais mostrarem uma recuperação mês a mês em relação ao mês anterior. Ele avaliou que, em qualquer comparação que se faça com períodos de 2008 ficará negativa no segundo e no terceiro trimestres, já que o pico da atividade econômica em 2008 ocorreu nesses trimestres.

O economista disse acreditar que os indicadores já deverão ser positivos no último trimestre de 2009 em relação ao último semestre do ano passado, quando a base já estava mais fraca. Mas essa recuperação no final deste ano não anulará o resultado negativo que deve ser registrado no ano de 2009.

"Já rodamos um terço do ano muito aquém do resultado do ano passado", comentou Castelo Branco ao analisar os dados divulgados hoje sobre o desempenho da indústria em abril de 2009. Castelo Branco disse que a previsão da CNI para o PIB industrial em 2009 é de uma queda de 2,8%. Esse número só será revisado após a divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2009 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O economista da CNI disse que a recuperação no segundo semestre ocorrerá como efeito das medidas de estímulo ao crédito adotadas pelo governo no final do ano passado e início deste ano e pela redução das taxas de juros da economia, além da política expansionista do governo, que reduziu a meta de superávit primário fiscal.

Castelo Branco considera necessário que a taxa Selic (juro básico da economia) continue em queda, para ajustar a taxa brasileira à de outros países. "Uma taxa de um dígito é extremamente necessária", afirmou. Hoje a Selic está em 10,25% ao ano.

O economista disse acreditar que o pior da crise internacional já foi superado - no sentido de que não há mais um pânico no mercado mundial. "O que não significa que o processo recessivo tenha passado. Será o mais longo desde a depressão de 1930. O comércio mundial continuará em queda", previu.

Castelo Branco afirmou ainda que a recuperação da indústria só poderá ser identificada quando os indicadores se mostrarem predominantemente positivos. Em abril, à exceção do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci), todos os dados foram negativos, na comparação com março de 2009 e em relação a abril de 2008.

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