CNI: ritmo de expansão da indústria desacelera em 2011

Apesar de ter praticamente garantido uma expansão na casa dos dois dígitos em 2010, o ritmo de crescimento da atividade industrial brasileira deve desacelerar este ano, na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

EDUARDO RODRIGUES, Agencia Estado

20 de janeiro de 2011 | 16h23

O arrefecimento, segundo ele, decorrerá das medidas de restrição ao crédito que vêm sendo tomadas pela equipe econômica do governo na tentativa de conter o aumento da inflação. "O Banco Central sinalizou que é o início de um processo, ou seja, está sendo implementada uma política monetária mais restritiva em 2011", disse.

Além de medidas como a elevação do compulsório para operações de crédito de longo prazo, que afetam principalmente a indústria automobilística, o início de um novo ciclo de aumentos na taxa básica de juros (Selic) também deve reduzir a demanda este ano. "Os canais se comunicam, quer dizer, as medidas reduzem o volume de recursos disponíveis para empréstimos e os tornam mais caros", afirmou Castelo Branco.

O aumento dos juros, ressaltou ele, também incentiva a continuidade da entrada volumosa de recursos estrangeiros no País, pressionando ainda mais a apreciação do real frente ao dólar, o que prejudica as exportações brasileiras e aumenta a concorrência no mercado doméstico com produtos importados.

"São necessários outros instrumentos de política econômica para adequar a inflação à meta, que impactem menos o setor produtivo", disse Castelo Branco. "Boa parcela das importações diz respeito a insumos que na verdade são partes, peças e componentes utilizados na indústria, o que afeta a cadeia produtiva doméstica, que vai ficando mais rarefeita", completou.

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