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CNI vê PIB crescendo menos em 2014, com retração da indústria

Projeção para o PIB agora é de 1%, bem abaixo do 1,8% previsto anteriormente; no ano passado, crescimento foi de 2,5%

Luciana Otoni, REUTERS

24 de julho de 2014 | 13h16

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu nesta quinta-feira a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil projetando retração no setor industrial e apontando o investimento como a variável crítica da economia brasileira.

A projeção para a expansão do PIB deste ano agora é de 1,0 por cento, bem abaixo do 1,8 por cento previsto anteriormente. Em 2013, a economia brasileira cresceu 2,5 por cento.

A revisão foi piorada principalmente pelo péssimo desempenho esperado para o setor industrial. Para 2014, a entidade estima que o PIB do setor fabril registrará recuo de 0,5 por cento em 2014, muito pior do que a projeção anterior, de um crescimento de 1,7 por cento, que repetiria a expansão registrada em 2013.

Se confirmada a contração neste ano, a indústria voltará ao terreno negativo de 2012, quando houve uma queda de 0,8 por cento na produção.

De acordo com a CNI, a retração do PIB industrial ocorrerá pelo recuo de 1,0 por cento na indústria da transformação e de 1,7 por cento de retração na indústria da construção. A estimativa só não é pior porque para a indústria extrativa é esperado crescimento de 1,5 por cento.

No cálculo do PIB da indústria, a entidade levou em conta a performance nada animadora do setor na primeira metade do ano.

O uso da capacidade instalada em maio, dado mais recente, ficou em 80,7 por cento, representando o quarto recuo consecutivo, ao mesmo tempo em que a maioria dos indicadores industriais mostrou queda pelo terceiro mês seguido.

Ao apresentar os números, a entidade avaliou que uma melhora desse quadro vai depender do investimento. "A variável crítica a explicitar as dificuldades da economia brasileira é o investimento", avaliou a CNI em documento. "A recuperação do investimento, fundamental para interromper esse ciclo, é também dificultada pelas naturais incertezas sobre a evolução da política econômica em 2015 que derivam das eleições."

Sobre a Selic, a entidade calcula que a taxa fechará este ano em 11 por cento ao ano, abaixo da expectativa anterior de 11,25 por cento.

A entidade também estima em 6,6 por cento a previsão do IPCA para este ano, ante 6,4 por cento previsto anteriormente e acima do teto da meta. A meta de inflação é de 4,5 por cento com 2 pontos percentuais de intervalo para cima e para baixo.

As projeções apresentadas pela CNI também levaram em conta o efeito do aperto dos juros, a desaceleração do consumo das famílias e a menor oferta de crédito bancário.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 11 por cento ao ano. Na ata da reunião divulgada nesta quinta-feira, o Banco Central sinalizou que a inflação tende a entrar em convergência para a meta num cenário de política monetária que não inclui redução da Selic. 

No front externo, a CNI destaca o cenário global marcado pela retirada dos estímulos monetários nos Estados Unidos sem considerar que a economia mundial vá beneficiar a economia brasileira.

Nesse contexto, a entidade calcula exportações de 237 bilhões de dólares e importações de 235,5 bilhões de dólares, resultando em saldo comercial de 1,5 bilhão de dólares neste ano, mantendo a projeção anterior.

Nas contas públicas, com a economia fraca e a dificuldade de controle dos gastos públicos, a perspectiva é de deterioração da política fiscal, com previsão de superávit primário de 1,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) ante 1,8 por cento projetado em abril.

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