CNI/Ibope: inflação é a maior preocupação dos brasileiros

A expectativa de aumento da inflação, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi o principal motivo de preocupação dos 2.002 entrevistados na pesquisa realizada pelo Ibope para a entidade no dia 23 de junho e divulgada hoje. Isso influiu, segundo o diretor da CNI Marco Antonio Guarita, no aumento da percepção pessimista da população em relação ao desemprego e à renda - dois itens que causam impacto direto na vida das pessoas.A pesquisa revelou que o brasileiro está percebendo mudanças no horizonte da economia, sobretudo em relação à inflação. Guarita diz, porém, que ainda é recente a expectativa das pessoas em relação à alta da inflação e que isso não teria influenciado a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na pesquisa, a avaliação negativa do governo passou dos 11% registrados na pesquisa anterior, de março, para 12% em junho, e a desaprovação ao presidente subiu de 22% para 24%.De acordo com o resultado do levantamento do Ibope, 65% acreditam que a inflação vai aumentar, ante 51% que tinham essa expectativa em março. E a aprovação à política do governo de combate à inflação caiu de 55% para 52%. Os que desaprovam essa política eram 41%, em março e agora são 45%. "Isso acaba por comprometer o combate ao desemprego e a evolução da renda", afirma Guarita. Para 65% dos entrevistados, a inflação aumentará nos próximos seis meses. Quanto ao desemprego, 52% acham que ele aumentará e 24% acreditam que se reduzirá. E, enquanto 37% esperam que a renda aumente, 16% dizem esperar que cairá.O diretor da CNI teve o cuidado fazer a ressalva de que seria precipitada qualquer previsão sobre o impacto do aumento da inflação na popularidade do presidente Lula. Guarita disse entender, porém, que um cenário de descontrole da inflação e recuo do emprego certamente causaria impacto negativo na avaliação da atuação do governo. Segundo o diretor da CNI, a pesquisa deixou claro que a expectativa sobre o futuro da inflação já está impactando negativamente a avaliação da política do governo. São 41% os entrevistados que afirmam aprovar a política de combate à inflação. Em março, eram 51%. Os que desaprovavam essa política, em março, eram 43%; agora, são 53%.Isso teve influência na avaliação de outros temas da agenda do governo na área econômica, como desemprego, impostos e juros. A política de juros do governo é aprovada por 31% das pessoas ouvidas pelo Ibope; em março, eram 39%. E 61% desaprovam a política de juros agora, ante 53% registrados em março. A aprovação à política do governo de combate ao desemprego, segundo a pesquisa, está em 52%, ante 55% em março. Os que a desaprovavam, em março, eram 41%; agora, são 45%.Em relação aos impostos, 31% disseram que aprovam a política tributária, ante 35% que a aprovavam em março. O índice de desaprovação a essa política ficou em 63% em junho, ante 60% em março.

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