Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

CNT pede segurança nas estradas para garantir abastecimento em caso de greve dos caminhoneiros

Presidente da Confederação Nacional do Transporte negou apoio a uma eventual paralisação, que está sendo programada para a semana que vem 

André Borges, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2021 | 16h44

BRASÍLIA - A Confederação Nacional do Transporte (CNT) negou nesta quinta-feira, 28, qualquer tipo de apoio a uma eventual paralisação de caminheiros, que ameaçaram iniciar uma nova greve em todo o País.

Por meio de nota, o presidente da CNT, Vander Costa, declarou que “não apoia nenhum tipo de paralisação de caminhoneiros e reafirma o compromisso do setor de transportador com a sociedade”.

Segundo a CNT, “se houver algum movimento dessa natureza, as transportadoras garantem o abastecimento do País, desde que seja garantida a segurança nas rodovias”. Em 2018, na paralisação que durou 11 dias, caminhoneiros que não quiseram aderir ao movimento chegaram a ser agredidos.

O governo acompanha o assunto de perto. Na quarta-feira, 27, o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo aos caminhoneiros para que desistam da paralisação da categoria, programada para a semana que vem. Ele confirmou a intenção do governo de reduzir tributos sobre o diesel para aliviar a pressão do reajuste do combustível sobre o bolso dos caminhoneiros, mas ressaltou que “não é uma conta fácil de ser feita”.

Cada centavo de redução no PIS/Cofins sobre o diesel teria impacto de R$ 800 milhões nos cofres públicos. Bolsonaro esteve na quarta com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na sede da pasta e um dos assuntos do encontro foi justamente a possibilidade de compensar os caminhoneiros pelo aumento no preço do diesel.

“Reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia, apelamos para eles que não façam greve, que todos nós vamos perder”, pediu o presidente.

O governo tem dito que as associações que chamaram a paralisação não são representativas do setor e que neste momento o preço do frete está alto por causa da safra agrícola.

Em 2018, o então deputado Jair Bolsonaro defendeu a greve de caminhoneiros que protestavam contra a alta no preço dos combustíveis. “Os caminhoneiros buscam soluções para esses problemas, que interessam aos 200 milhões de brasileiros. Não têm encontrado eco no Legislativo. Sobrou-lhes o Executivo, que teima a se omitir. Somente a paralisação prevista a partir de 2ª feira poderá forçar o presidente da República a dar uma solução para o caso”, disse Bolsonaro, em vídeo divulgado em redes sociais.

Naquele ano, a greve provocou uma crise de abastecimento no País e com fortes impactos sobre o crescimento da economia. O Ministério da Fazenda calculou em R$ 15,9 bilhões o prejuízo à economia provocado pela paralisação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.