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Cobertura do governo na imprensa mundial afeta investidores

Vários dos principais jornais da imprensa mundial dedicaram nos últimos dias reportagens sobre as dificuldades do governo brasileiro em reativar a economia e as pressões para que a política econômica seja alterada. Analistas e investidores observam que, apesar dos reiterados compromissos do governo de manter a austeridade fiscal e dos fundamentos do pais continuarem apresentando indicadores positivos, essa onda de reportagens negativas inevitavelmente acaba tendo um impacto no ânimo dos investidores estrangeiros. Eles temem que o crescimento das pressões políticas com a proximidade das eleições municipais de outubro aliado a um fraco crescimento do PIB ameacem a continuidade da atual linha econômica. "É óbvio que se você pega a Economist, o Financial Times, o El Pais, Guardian e outras publicações e vê, todos, abordando as dificuldades de Lula e cogitando o risco de uma mudança na área fiscal, a preocupação aumenta", disse um diretor de um banco espanhol com forte presença na América Latina. "Não dá para falar que o sentimento dos investidores com o País azedou, mas o grau de alerta está subindo."Lula luta para salvar reputacao de conservador fiscalHoje foi a vez do jornal New York Times tratar do assunto. Segundo o diário norte-americano, o presidente Lula, enfrentando índices de aprovação em declínio e uma extremamente lenta recuperação econômica, "está lutando para afastar a pressão política para que eleve os gastos, salvando assim a sua reputação, arduamente conquistada, de conservador fiscal".Segundo o NYT, "Mr da Silva, um ex-líder sindical, cuja transformação de esquerdista radical numa pessoa que acredita nos mercados livres o transformou num favorito em Wall Street, gastou o ultimo mês tentando lidar com demandas para elevar o salário mínimo para compensar a inflação e elevar os salários dos funcionários públicos grevistas e dos militares", disse o NYT. Mas, segundo o jornal, embora o presidente tenha atraído a ira de muitos aliados da esquerda no ano passado por recusar abandonar as políticas de austeridade fiscal, Lula está agora dando sinais de sentir a pressão, elevando as preocupações sobre sua aparente disposição de manter o atual curso.O NYT observa que a maioria dos pedidos por maiores gastos públicos ocorreu desde o surgimento do "caso Waldomiro", em meados de fevereiro, que colocou o governo sob pressão para abrir seus cofres para desviar a atenção da crise. "Além disso, eleições municipais estão programadas para outubro, elevando a perspectiva de maiores gastos governamentais nos próximos meses para fortalecer o PT nas urnas", disse o jornal.

Agencia Estado,

29 de abril de 2004 | 08h20

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