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Cobrança de IOF zera captações de curto prazo

Medida para conter entrada de capital especulativo deu resultado e a entrada de empréstimos de prazo mais longo disparou

Adriana Fernandes e Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

A taxação mais alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para empréstimos externos zerou as captações de curto prazo, consideradas mais especulativas. Já as captações externas de longo prazo, realizadas por bancos e empresas dispararam.

Essa mudança no perfil de recursos para o País, em abril e maio, diminuiu o canal de entrada de dólares que vinha sendo utilizado para aumento da oferta de crédito pelos bancos e de apostas especulativas na valorização do real.

Esses dois fatores vinham contribuindo para a queda do dólar ante a moeda brasileira. É que, antes do IOF mais salgado, as instituições financeiras e as empresas estavam aproveitando a taxa de juros bem menor em outros países para tomar empréstimos e depois aplicar os recursos no Brasil, se valendo da vantagem do diferencial de juros externos com a taxa Selic. Esse dinheiro entrava no País e, além de render bastante pelo diferencial de juros, elevava a capacidade de oferta de crédito dos bancos (movimento que pressiona a alta da inflação).

Além das preocupações com a valorização excessiva do real e com a inflação, o governo também se incomodava com o fato de essas operações serem feitas com recursos de curto prazo. Isso elevava o risco de revoada abrupta de dólares do Brasil para o exterior, por causa de uma crise externa, que poderia causar problemas a bancos e empresas e desestabilizar a economia.

Queda. Para mostrar o acerto da alta do IOF para empréstimos externos com prazo de até dois anos, o Banco Central divulgou ontem números que revelaram que as captações de empréstimos e títulos externos caíram 64,71% em maio até ontem, para US$ 3 bilhões. A média mensal foi de US$ 8,5 bilhões no primeiro trimestre. Enquanto as captações de longo prazo no primeiro trimestre tiveram uma média mensal de US$ 3,23 bilhões, em maio saltaram para R$ 6,30 bilhões. As captações de curto prazo, no período, caíram de US$ 5,26 bilhões para uma saída de US$ 3,33 bilhões. Com o IOF mais pesado (de 6%), já não há mais captações de curto prazo. Ao contrário, as empresas e os bancos estão pagando os empréstimos com prazos mais curtos e tomando novos financiamentos com vencimentos mais longos.

O resultado da mudança no fluxo de dólares já pode ser observado na conta da dívida externa brasileira. A parcela de curto prazo em abril caiu R$ 3,33 bilhões e a de longo prazo aumentou R$ 9,12 bilhões. A maior queda verificada na dívida de curto prazo é justamente a dos bancos.

Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, os dados recentes sobre as captações externas mostram o sucesso da alta do IOF e o efeito benéfico das medidas adotadas, que proporcionaram o alongamento destas captações.

Títulos. Na avaliação do analista da Tendência Consultorias, Silvio Campos Neto, a medida teve um efeito importante nos fluxos. "Não apenas o volume, mas principalmente a composição das entradas foi substancialmente alterada no último mês", avaliou o economista. Ele destacou que diante do travamento das operações de curto prazo, os exportadores partiram mais fortemente para a obtenção de crédito via notes e commercial papers (títulos de dívida privada), o que tem sido observado pelo aumento do fluxo comercial semanal.

Em maio até o dia 23, o fluxo comercial estava positivo em US$ 5,35 bilhões, resultado bem mais vigoroso que a entrada de dólares pelo segmento financeiro, que registrou saldo positivo de US$ 2,97 bilhões.

No período, o fluxo total fechou positivo em US$ 8,33 bilhões. Os bancos também reduziram de US$ 11,73 bilhões para US$ 7,8 bilhões as suas apostas na valorização do real.

Cenário

TÚLIO MACIEL

CHEFE DO DEPARTAMENTO ECONÔMICO DO BC

"Os dados recentes mostram o sucesso da alta do IOF e o efeito benéfico das medidas adotadas."

SILVIO CAMPOS NETO

ANALISTA DA TENDÊNCIA CONSULTORIA

"Não apenas o volume, mas principalmente a composição de entradas foi substancialmente alterada

no último mês."

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