Coca-Cola Andina compra fabricante do País por R$ 1,2 bi

Empresa chilena anunciou ontem a aquisição da Companhia Ipiranga de Bebidas, que pertencia à família Biagi

GUSTAVO PORTO , O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h09

A Coca-Cola Andina Brasil, braço produtor de bebidas da chilena Embolletadora Andina no País, anunciou ontem a aquisição da Companhia de Bebidas Ipiranga, uma da maiores e mais tradicionais fábricas da marca de refrigerantes no Brasil. A empresa chilena pagou US$ 539 milhões, ou R$ 1,22 bilhão, pela companhia brasileira. O negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com faturamento de R$ 695 milhões e lucro operacional de R$ 112 milhões, a Ipiranga era comandada pelo empresário André Biagi, cuja família é uma das mais tradicionais no setor de açúcar e álcool no País.

   

Segundo a Andina, a operação permite "capturar sinergias operacionais e logísticas" de aproximadamente R$ 10 milhões por ano, bem como benefícios fiscais, como resultado da integração dos negócios. "Essa transação permite à Andina consolidar ainda mais sua posição de liderança no sistema Coca-Cola no Brasil, bem como novas oportunidades e criar valor para seus acionistas e empregados", disse a companhia chilena em comunicado.

Com sede brasileira no Rio de Janeiro e unidades produtoras na capital fluminense e em Cariacica (ES), a Coca-Cola Andina do Brasil domina o mercado da bebida nos dois Estados e irá incorporar a fábrica de Ribeirão Preto. As operações abrangem mais de 25 mil pontos de venda em 131 cidades: 78 em São Paulo e 53 em Minas Gerais. Além da fábrica na cidade paulista, a Ipiranga ainda possui unidades distribuidoras em Araraquara (SP), Franca (SP), São João da Boa Vista (SP), Mococa (SP) e São Sebastião do Paraíso (MG).

Liderança. "Essa aquisição reforça o nosso objetivo de ser líder em todos os mercados em que atuamos e ser um consolidador do sistema Coca-Cola na América Latina. Também reforça o nosso compromisso com o mercado brasileiro, com grande potencial de crescimento", informou Miguel Angel Peirano, vice-presidente executivo da Coca-Cola Andina.

Em abril do ano passado, em entrevista ao Estado, o diretor-presidente da Ipiranga, André Biagi, afirmou que a consolidação de empresas em poucos grupos econômicos era "um processo natural" e citou como exemplo a própria Coca-Cola no Brasil.

Mesmo com a venda das operações centralizadas em Ribeirão Preto, os Biagi continuarão com unidades produtoras de Coca-Cola e outras bebidas ligadas à marca nas cidades de Sorocaba (SP) e Uberlândia (MG).

Para financiar a aquisição da Ipiranga, a Andina informou que pretende fazer uma emissão de bônus em dólar. O vice-presidente executivo da companhia chilena não deu detalhes sobre o tamanho e a maturidade da oferta de bônus, mas disse que a taxa de retorno pretendida deverá ser de 4% a 5%.

Financiamento. O anúncio da aquisição da Ipiranga pela Andina foi feito duas semanas depois de a mexicana Coca-Cola Femsa anunciar a compra da Companhia Fluminense de Refrigerantes por US$ 448 milhões. A Femsa já havia comprado várias engarrafadoras no México nos últimos dois anos. "A consolidação do setor no Brasil acompanha o que aconteceu no México", comentou Peirano. / COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES

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