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Cocamar espera que preço da soja compense parte das perdas na safra do ano

Expectativa é de quebra de 38% na produção inicialmente projetada para a soja por causa da forte seca

Isadora Duarte, Clarice Couto, Sandy Oliveira e Leticia Pakulski, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2022 | 05h00

A cooperativa Cocamar está revendo sua perspectiva de receita este ano em virtude da quebra de 38% da safra de soja na área em que atua – Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A expectativa, por ora, é de receita 21% maior que a de 2021, para R$ 11,6 bilhões. Mas, como o prejuízo segue sendo calculado, uma nova avaliação virá até o fim do mês, diz Divanir Higino, presidente. “A tendência é de revisão para baixo, pois são 600 mil toneladas de soja que deixarão de entrar. Mas a expectativa para o ano ainda é boa.” Os preços atrativos devem compensar parte da queda projetada de 24% no volume recebido de soja, previsto em 1,4 milhão de toneladas. Já de milho safrinha, estima 1,85 de milhão de toneladas (+164%).

Investimentos estratégicos para expansão 

Até dezembro a Cocamar aportará R$ 250 milhões no seu parque industrial. A verba irá para armazéns, incremento da produção da indústria de fertilizantes foliares (para 1,5 milhão de litros/ano) e aumento de 25% na capacidade de esmagamento de soja.

Diversificação com proteína animal

Parte do investimento da Cocamar vai para carnes nobres. O volume abatido por frigorífico parceiro deve aumentar de 6 mil para 8 mil cabeças de gado por ano. Para 2023, estuda construir planta própria ou arrendar, antecipa Higino. “Atendemos aos cooperados que atuam com sistema integração lavoura-pecuária-floresta.”

Colhe os frutos

A Viter, unidade agrícola da Votorantim Cimentos, viu suas vendas de calcários, corretivos, protetores foliares e nutrientes para solo baterem recorde de 5,2 milhões de toneladas no ano passado. O volume foi 4% maior que o comercializado em 2020. O resultado reflete o lançamento de produtos, a ampliação da capacidade de produção de duas de suas oito fábricas e o início da exportação para o Paraguai, segundo Marcelo Giuliano de Sousa, gerente geral da Viter.

Precavidos

A contratação de todos os tipos de seguro rural aumentou em 2021, de acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg). O agrícola, de proteção de safra, cresceu 43,25% em valor de apólices (prêmios) ante 2020, para R$ 4,841 bilhões (50% do total). O de penhor rural (bens penhorados em empréstimos) avançou 33,8%, para R$ 1,915 bilhão; seguro pecuário, 108%, para R$ 46,9 milhões; benfeitorias e produtos agropecuários, 47%, para R$ 692,7 milhões.

Clima extremo

Na modalidade agrícola, o avanço se deve a custos de produção maiores e a preços das commodities que subiram mais de 30%, elevando o valor segurado e, consequentemente, da apólice, explica Joaquim Neto, presidente da Comissão de Seguro Rural da Fenseg. A “severidade climática” em 2021, com períodos de seca e geadas intensas prejudicando lavouras, também levou produtores a buscarem mais proteção. 

Êxito

A Associação Brasileira de Proteína Animal voltou satisfeita da visita à Rússia na última semana, com a possibilidade de extensão da cota para carne suína nacional, que terminará em julho. Ricardo Santin, presidente da ABPA, diz que a ausência de Tereza Cristina, ministra da Agricultura, que teve covid-19, não prejudicou as conversas, apesar de ser “profunda conhecedora dos assuntos tratados”. 

Vegetal em alta

Com o consumo crescente de proteína à base de plantas, a indústria precisará produzir 25 milhões de toneladas do produto para atender ao mercado global em 2030. Estudo da Good Food Institute (GFI) aponta que cerca de 810 fábricas devem entrar em operação, com investimento de cerca de US$ 27 bilhões/ano. Cristina Ambiel, gerente de Ciência e Tecnologia do GFI Brasil, diz que o Brasil terá de se adaptar para suprir a demanda. “Precisamos desenvolver empresas interessadas em processar ingredientes (proteína concentrada, texturizada e isolada).”

Abastecimento de potássio no Brasil está ameaçado 

O cenário de desabastecimento de cloreto de potássio (KCl) no País se consolida com a inviabilização dos embarques de Belarus, diz Marcelo Mello, diretor de Fertilizantes da consultoria StoneX. O país do Leste Europeu contribui com cerca de 20% do KCl importado pelo setor produtivo e sua exportação está bloqueada por sanções econômicas. 

Mercado de olho na safra dos EUA 

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulga nesta semana a primeira previsão para a safra 2022/23. O mercado acompanha porque, após perdas na América do Sul, produtores nos EUA devem plantar mais soja para suprir o consumo mundial. “A área tem bastante influência em preço”, diz Ana Luiza Lodi, da StoneX. 

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