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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

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Celso Ming
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Colapso

Não é preciso análise de nenhuma caixa-preta para entender que estamos diante de algo bem mais grave do que um "Apagão Aéreo", nome da crise dado pela CPI que tramita no Senado.O setor da aviação civil entrou em colapso e, nessa situação, aviões se descontrolam, morrem centenas de inocentes e quem devia assumir a responsabilidade, se omite ou reage com "top-tops", como o secretário da Presidência, Marco Aurélio Garcia.O governo Lula não foi capaz de antecipar a impressionante expansão do setor e, muito menos, de responder adequada e prontamente a ela. O Ministério da Defesa, de Waldir Pires, é reconhecidamente inoperante na tarefa de coordenar a aviação civil. O levantamento feito pela CPI denuncia que não é capaz de supervisionar nem a Infraero nem o Comando da Aeronáutica, como é sua incumbência. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, preferiu ver o lado cândido do problema: como demonstração do aumento do consumo e da pujança da economia. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, sugeriu que o desconforto e as longas esperas nos aeroportos sejam aproveitados com o desfrute possível nas circunstâncias.A julgar pelas suas reações diante do caos dos controladores do tráfego aéreo, o presidente Lula vem tendo dificuldade até para entender a natureza do problema. Chegou a pedir que o então ministro do Trabalho, Luiz Marinho, encontrasse uma solução sindical-trabalhista para a crise desses profissionais, que são sargentos da Aeronáutica. O governo não tem uma política nacional de aviação civil.O relativo barateamento das passagens, conjugado ao aumento de renda da população, vem puxando a demanda por transporte aéreo em torno de 20% ao ano. Isso significa que, em apenas dez anos, aumentará 520%. Esse não é fenômeno restrito ao Brasil e, assim, não poderia ser conseqüência da melhora dos fundamentos da economia, conforme alardeia Mantega. Mas tende a se acentuar por aqui.A capacidade da infra-estrutura aeroportuária brasileira está esgotada. Alguns números da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) bastam para entender a extensão da calamidade. No relatório da CPI ficou registrado que, em 2005, o Aeroporto de Congonhas, com capacidade para 12 milhões de passageiros por ano, recebeu 17,1 milhões. Brasília, com capacidade de 7,4 milhões, recebeu 9,4 milhões. Vitória e Porto Seguro, embora menores, também estão assim.A Anac entende que, se tudo continuar como está, o congestionamento alcançará 11 aeroportos em 2010; 23 em 2015; e 27 em 2025. O custo das providências necessárias para reverter a situação é de R$ 7,3 bilhões até 2010. Mas a Infraero dispõe de apenas R$ 3 bilhões.O problema de Congonhas é ainda mais sério porque, além de ser o aeroporto de maior movimento no País, é a principal conexão (hub). Qualquer anomalia lá tem repercussão no País inteiro: é o avião que não decola e atrasa a chegada a seu destino; é a tripulação que fica retida em outro centro; são as conexões que não se realizam e tumultuam todo o movimento. (Amanhã tem mais.)

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