Edgar Su/ Reuters
Edgar Su/ Reuters

Colapso de criptomoeda fez mercado perder R$ 1 tri em 24 horas

A derrocada da TerraUSD, ancorada no dólar americano, levou o bitcoin a cair 10%, enquanto o ethereum caiu 16%

Lucas Agrela, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2022 | 11h07

O colapso da TerraUSD, ancorada no dólar americano, levou o mercado global de criptomoedas a perder US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão, em conversão direta) em 24 horas, de acordo com informações do site CoinMarketCap, que monitora os valores e transações de criptomoedas.

A perda de valor da TerraUSD levou a quedas do bitcoin e do ethereum, que caíram 10% e 16%, respectivamente. Entenda o que levou a criptomoeda Terra, também chamada LUNA, a perder 99% do valor em um dia

No mercado financeiro, as ações de empresas de tecnologia e de empresas ligadas ao mercado de criptomoedas tiveram queda na Ásia nesta quinta-feira, 12, que pode ampliar as perdas no setor de criptomoedas. 

A fintech BC Technology teve queda de 6,7% no valor de seus papéis na bolsa de valores de Hong Kong, enquanto a Monex Group chegou a uma depreciação de 10% no preço de suas ações..

O bitcoin já vinha em uma tendência de queda nesta semana, puxada pela alta de juros nos Estados Unidos, que afasta investidores de ativos de risco. 

Rejeição ao bitcoin

Em março deste ano, Robert Kiyosaki, conhecido por ser o autor do livro sobre finanças pessoais “Pai Rico, Pai Pobre”, se mostrou pessimista em relação ao futuro do bitcoin por causa da regulamentação das criptomoedas nos Estados Unidos. Kiyosaki previu que as criptomoedas poderão ser confiscadas — apesar de que os ativos podem ser armazenados em dispositivos que funcionam carteiras codificadas e desconectadas da internet e de todo o sistema financeiro tradicional.

O megainvestidor e CEO da Berkshire Hathaway Warren Buffett expressou seu descontentamento com o bitcoin, questionando seu valor e pouco potencial para substituir o dólar. Segundo Buffett, ele não compraria todo o bitcoin do mundo nem por US$ 25, enquanto compraria 1% de todas as terras agrícolas dos Estados Unidos ou 1% de todos os prédios do país por US$ 25 bilhões, porque acredita que esses ativos possam gerar rendimentos ou produtos.

Outro crítico do bitcoin é Nassim Taleb, autor dos best-sellers A Lógica do Cisne Negro, Arriscando a Própria Pele e Antifrágil. Em fevereiro deste ano, quando o valor da criptomoeda teve queda significativa, Taleb disse que ela é um “jogo perfeito para otários durante tempos de juros baixos”. “A verdade é que o bitcoin não é uma proteção contra a inflação, não é uma proteção contra crises do petróleo, não é uma proteção contra ações e, claro, o bitcoin não é uma proteção contra eventos geopolíticos – na verdade, é exatamente o oposto”, disse, em suas redes sociais.

No ano passado, Bill Gates, cofundador da Microsoft, apontou um problema do bitcoin, em entrevista publicada no jornal americano The New York Times. Gates disse que a forma como a criptomoeda funciona, com o processamento de transações feito por computadores e servidores espalhados pelo mundo e não vinculados a nenhum banco central, pode levar a danos ambientais. Por isso, o bilionário não vê o bitcoin como a moeda do futuro da economia mundial. 

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