Colapso de fundo nos EUA derruba ainda mais o dólar

Aumento da aversão ao risco leva investidores para outros ativos; dólar despenca e dólar sobe

da Redação,

13 de março de 2008 | 09h47

A crise americana provoca mais um dia de nervosismo nos mercados e não deverá haver trégua na abertura das Bolsas norte-americanas. Os principais índices acionários tendem a operar em forte baixa, em meio ao nervosismo em que o fundo Carlyle Capital mergulhou os investidores na manhã desta quinta-feira, 13, ao declarar  que não conseguiu fechar um acordo de refinanciamento com seus credores. Com pessimismo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em queda de 2,54%. Isso provocou aumento das incertezas em relação à extensão da crise do crédito imobiliário de risco nos EUA (subprime). O Carlyle jogou as bolsas - desde a Ásia até os futuros de Nova York - em pesada queda, assim como o dólar para abaixo de 100 ienes pela primeira vez desde 1995. Tal queda da moeda norte-americana projetou o petróleo para um novo recorde, passando os US$ 110. O enfraquecimento do dólar potencializa o sentimento forte de aversão ao risco, o que também está provocando uma corrida ao ouro, cujo contrato futuro com vencimento em abril negociado na Comex (divisão de metais da Bolsa Mercantil de Nova York - Nymex) atingiu o recorde de US$ 1.000 a onça-troy (equivalente a 31 gramas) esta manhã. Veja também: Com pessimismo, Bovespa abre em queda de 2,54% Governo anuncia medidas para conter queda do dólarFundo Carlyle Capital está perto do colapsoBCs atuam para ajudar mercado de créditoESPECIAL: Preço do petróleo em altaO sobe e desce do dólar Entenda a crise nos Estados Unidos   Veja os efeitos da desvalorização do dólar  O fundo Carlyle Capital deixou de cumprir pagamentos de cerca de US$ 16,6 bilhões em dívida e espera que seus credores fiquem com os ativos restantes à medida que a crise global de crédito pressiona investidores alavancados. O grupo informou em Nova York que as negociações com os credores se deterioraram após uma queda no valor de seus investimentos em hipotecas.  O dólar caiu a uma nova mínima histórica ante o euro nesta manhã em US$ 1,5627 e foi abaixo de 100 ienes com os temores sobre o mercado de crédito. Pesou no humor dos investidores as notícias sobre a Carlyle Capital. A informação arrastou um grande número de papéis de empresas do setor financeiro para baixo e prejudicou o desempenho das bolsas européias e dos futuros de Nova York. O fundo informou que as negociações com os credores se deterioraram e que estes devem tomar seus ativos, causando provavelmente a liquidação do fundo. Os números de vendas no varejo nos EUA em fevereiro também eram digeridos com dificuldade. As vendas caíram 0,6%, contrariando as previsões de alta de 0,1%. A espiral de perdas do dólar também é vista com ceticismo pelos investidores das Bolsas. Para o analista do Futurepath Trading, Frank Lesh, a desvalorização do dólar tem efeito direto sobre os preços das ações, reduzindo a atratividade desses papéis para os investidores estrangeiros, ao diminuir seu valor. Nesta quinta, o Departamento do Trabalho informou que o número de pedidos feitos há mais de uma semana atingiram o maior nível em dois anos e meio, desde setembro de 2005, a 2.835.000, na semana até 1º março, correspondendo a um aumento de 7 mil em relação a semana anterior. Já o número de novos pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana passada não se alterou em comparação a semana anterior, ficando em 353 mil pedidos - o dado da semana anterior foi revisado em alta de 2 mil, de 351 mil previsto. Às 9h20 (de Brasília), o WTI para abril subia 0,39% nas Nymex eletrônica para US$ 110,35 o barril, enquanto o Brent com o mesmo vencimento avançava 0,20% na ICE para US$ 106,48 o barril. As informações são da Dow Jones.  (Com Carolina Ruhman e Cynthia Decloedt, da Agência Estado, com agências internacionais) Texto alterado às 11h52

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