Antonio Cruz|Agência Brasil
Antonio Cruz|Agência Brasil

‘Colchão de liquidez’ deve pagar pedaladas

Governo usará recursos de antigas emissões de títulos para quitar os passivos criados pelos atrasos no pagamento de dívidas da União com bancos públicos

Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2015 | 05h00

BRASÍLIA - O governo deve usar o chamado “colchão de liquidez” do Tesouro para pagar as pedaladas fiscais este ano. Isso significa que em vez de emitir novos títulos públicos, o que aumentaria a dívida bruta do setor público, o governo usará recursos de antigas emissões de títulos – que estão no caixa do governo – para quitar esses passivos criados pelos atrasos no pagamento de dívidas da União com bancos públicos e com o FGTS e que motivou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“O cenário base não é a utilização de títulos e sim usar o caixa com emissões ao longo do ano”, disse ontem o coordenador-geral de operações da dívida pública do Tesouro, José Franco. O Tesouro não informa qual o valor atual do colchão de liquidez, apenas que ele tem saldo suficiente para pagar vencimentos da dívida pública equivalente a um período entre 3 e 6 meses sem a necessidade de novas emissões de papéis. Segundo uma fonte ouvida pelo Estado, o volume do colchão está hoje mais próximo dos 6 meses.

O ministro do Planejamento, Valdir Simão, disse ontem que uma decisão sobre o valor a ser pago será tomada nos próximos dias. O valor total dessa dívida é estimado em R$ 57 bilhões. Deste total, R$ 22,4 bilhões são referentes aos pagamentos em atraso ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros R$ 20,7 bilhões ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Também há uma dívida de R$ 1,5 bilhão com a Caixa e R$ 12,3 bilhões com o Banco do Brasil. “Nós estamos discutindo e nos próximos dias tomaremos a decisão. Eu, pessoalmente, defendo que devemos limpar essa agenda e o que for possível pagar este ano devemos pagar”, afirmou o ministro.

Na semana passada, a presidente assinou Medida Provisória abrindo um crédito extraordinário no Orçamento deste ano de R$ 37,5 bilhões dos quais uma parte será usada para o pagamento das pedaladas. /COLABOROU ADRIANA FERNANDES

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