Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Coleta de dados presencial deve melhorar o resultado da Pnad, diz IBGE

Atualmente, pesquisa que apura a situação do mercado de trabalho do País estava sendo feita apenas por meio da coleta telefônica; dependendo da evolução da pandemia, medida poderá ser revista

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 19h42

RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta segunda-feira, 12, que retomou parcialmente as atividades presenciais, incluindo a coleta de dados para indicadores econômicos, como os que retratam a taxa de desemprego e a inflação no País. A decisão leva em consideração a evolução da pandemia de covid-19, podendo ser revista em caso de agravamento da crise sanitária.

Segundo o órgão, algumas atividades consideradas essenciais passaram a ser realizadas presencialmente desde o início de julho, entre elas a coleta de informações para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), para os Índices de Preços, e para Pesquisas Econômicas e Agropecuárias. Houve retomada ainda da coleta sobre divórcios judiciais nas respectivas varas cíveis e de família para as Estatísticas do Registro Civil e das atividades da base territorial para o Censo Demográfico 2022, entre outras.

A decisão deve melhorar o aproveitamento da amostra da Pnad Contínua, que apura a situação do mercado de trabalho no País. Com a pandemia, as visitas aos domicílios foram interrompidas em março do ano passado, e as informações passaram a ser coletadas apenas por telefone, provocando queda na taxa de resposta e distorções no perfil de entrevistados, levantando dúvidas entre alguns economistas sobre a mensuração adequada de alguns aspectos do mercado de trabalho, como o emprego formal, conforme noticiado pelo Estadão/Broadcast em abril.

A coleta em campo já recomeçou no início deste mês, mas a obtenção presencial de números de telefone de informantes foi iniciada no mês passado, o que já elevou a taxa de resposta em junho, quando foram coletados os dados referentes ao desemprego em maio, contou Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

A taxa de resposta da Pnad Contínua subiu de 55,8% na pesquisa referente a abril para 57,9% na de maio, apurada até o último 29 de junho. O pior desempenho foi registrado em março deste ano, quando a taxa de resposta foi de apenas 52,5%. Antes da covid-19, a taxa de resposta da Pnad Contínua alcançava 89%. A coleta referente à situação do mercado de trabalho no mês de junho permanecerá em campo até o dia 30 de julho, já com entrevistas presenciais.

“A gente não está voltando tudo, está voltando gradualmente, observando as medidas e protocolos de saúde que o IBGE colocou: manter o distanciamento, usar sempre o álcool gel, máscara. A gente está orientando que as entrevistas sejam feitas na porta, para não fazer dentro do domicílio, mantendo a segurança e a saúde tanto do entrevistador quanto do morador. A gente quer voltar, a gente entende a necessidade, com a premissa de que em primeiro lugar está a vida dos entrevistadores e dos moradores”, afirma Maria Lucia.

Segundo a coordenadora, a coleta presencial será feita apenas nos casos em que não for possível obter os dados pelo telefone, somente “quando necessário e possível”, diz. As unidades estaduais têm autonomia para decidir sobre a coleta presencial condicionada à evolução local da pandemia.

A expectativa do órgão é de melhora na taxa de resposta em todo o País, o que possibilitará ao IBGE voltar a divulgar dados regionais do mercado de trabalho com mais desagregações, que foram suspensas quando houve dificuldade na coleta.

Readequação

A coleta telefônica de dados sobre o mercado de trabalho no País aumentou a incidência de respostas de jovens, mulheres e idosos na amostra da Pnad Contínua. O IBGE já tratava os dados coletados pela Pnad Contínua ajustando os resultados para o tamanho da população de cada unidade da federação. 

Agora, o instituto está na fase final de ajustar toda a série histórica também em relação à distribuição das pessoas por idade e sexo. Ou seja, essas variáveis serão usadas na construção dos pesos dos informantes para a obtenção do resultado total da pesquisa, o que o órgão acredita que impedirá novos resultados enviesados.

“É muito mais fácil encontrar jovens ou então mulheres mais idosas no domicílio para prestar informação do que, por exemplo, rapazes solteiros que moram sozinhos”, explicou Maria Lucia. “É o chamado viés de disponibilidade. Isso ficou mais exaltado na entrevista por telefone”, acrescentou.

A coordenadora revelou ainda que o IBGE está estudando se há viés que diferencie as informações prestadas em entrevistas por telefone ou presenciais. O órgão vai acompanhar a identificação do meio de coleta das informações já em agosto para checar possíveis efeitos sobre a incidência de cada tipo de resposta no questionário.

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