Colinas já 'causou' dois apagões

Moradores têm várias teses para as panes

Célia Bretas Tahan, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2014 | 02h06

PALMAS (TO) - Desvio de energia em excesso para o Sul e o Sudeste causou sobrecarga no sistema elétrico. Essa é a hipótese que circula entre os moradores de Colinas do Tocantins (TO), que, pela segunda vez, viram a linha de transmissão que passa pela cidade ser apontada como responsável pelo apagão da segunda-feira, que afetou 11 Estados.

Colinas fica ao norte do Tocantins e tem cerca de 30 mil habitantes. Em novembro de 2012, um apagão deixou as Regiões Norte e Nordeste às escuras. O problema foi atribuído a um incêndio entre duas subestações de energia na linha de transmissão que vai de Colinas a Imperatriz, no Maranhão.

O diretor da Rádio Líder de Colinas, Antonio Siloé Noleto, comparou a pane de segunda-feira com a de 25 de outubro de 2012. "Se as linhas estavam transportando 4,8 mil megawatts e têm capacidade apenas para 5,1, é claro que não iam aguentar", analisou. Os números foram divulgados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), em nota enviada à imprensa, segunda-feira.

Josué de Arimatéia Silva, dono de uma banca de revistas, concorda com Siloé. "Já vimos esse filme: o Sul-Sudeste usa energia demais, por causa do calor, não consegue produzir o suficiente, em função da estiagem, e vem buscar no Norte." Para ele, o resultado foi uma sobrecarga e o sistema entrou em curto. "É a mesma coisa que acontece na casa da gente, quando ligamos um monte de aparelhos elétricos e o chuveiro: se os fios não suportam, cai o disjuntor", comparou.

Outra hipótese foi levantada por um dos vereadores de Colinas, que preferiu não ter seu nome divulgado. Para ele, o que ocorreu foi uma falha humana. "Na hora de fazer manutenção, cometeram um erro que causou o problema."

No Tocantins, a falha no Sistema Interligado Nacional durou quatro minutos - das 14h03 às 14h07, horário de Brasília. De acordo com a Companhia de Energia Elétrica do Tocantins (Celtins), foram afetadas 95 das 139 cidades do Estado, principalmente as localizadas nas regiões Centro, Sul e Sudeste, totalizando 362 mil unidades consumidoras.

Contatados, ONS, Eletronorte, Intesa e Taesa informaram que só podem dar informações sobre as causas do apagão depois da reunião com a Aneel e com o Ministério de Minas e Energia, marcada para hoje.

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