Colocação de dívida é mais difícil com risco crescente

O Tesouro Nacional aceitou, na semana passada, pagar juros médios de 13,13% ao ano para colocar R$ 9,27 bilhões em títulos da dívida pública com vencimento em outubro. Admitiu, assim, tanto a dificuldade de vender papéis federais como a de que para manter sob controle a rolagem da dívida será preciso atender à demanda de investidores por prazos muito curtos e juros altos. Pior é que essa situação, que já era evidente em 2014, persiste em 2015, mesmo após a troca do ministro da Fazenda.

O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2015 | 02h03

O que torna mais complexa a colocação de papéis públicos é a percepção de riscos. Entre estes estão o grau de estagnação da economia, as dúvidas sobre a possibilidade de cumprir a meta de 1,2% do PIB de superávit primário neste ano (depois do déficit primário de 2014), a ameaça de prejuízos de fornecedores da Petrobrás que perderam contratos, os juros básicos em alta no Brasil e a proximidade de aumento dos juros nos Estados Unidos.

No último bimestre de 2014, o Tesouro Nacional já havia antecipado a emissão de títulos destinados à carteira do Banco Central (BC), sob a justificativa de perdas do BC com reservas internacionais e swaps cambiais.

Essas emissões antecipadas perfizeram R$ 53,6 bilhões e os títulos foram usados pelo BC em operações compromissadas, para absorver o excesso de liquidez proveniente do resgate de papéis federais, sem a rolagem esperada.

A situação está se repetindo, agora, porque haverá vencimentos de dívida vultosa nos próximos três meses, da ordem de R$ 240 bilhões. O Tesouro terá de fazer caixa para prover o pagamento, se persistirem as dificuldades para rolar a dívida.

Os investidores continuam evitando comprar papéis de longo prazo e o resultado são uma piora - transitória, espera-se - do perfil da dívida e um aumento das pressões sobre a rolagem no curto prazo.

Quanto maiores forem as dúvidas sobre a obtenção do superávit primário de 1,2% do PIB - e analistas conservadores consideram que 0,8% do PIB já seria um superávit razoável -, maiores os constrangimentos para vender papéis longos.

Como afirmou ao jornal Valor um analista da corretora Coinvalores, Paulo Celso Nepomuceno, "diferentemente de outros anos, o Tesouro parece não poder mais evitar a oferta desses lotes grandes para prazos curtos", pois "precisa se financiar", mesmo com perfil pior.

O desgaste oficial decorrente da Operação Lava Jato agrava a percepção de riscos dos aplicadores.

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