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Colômbia cria plano para atrair empresa brasileira

País oferece redução de impostos e garantias para as indústrias, desde que aportem mais de US$ 32 milhões e criem 600 empregos diretos

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2007 | 00h00

Um dos países que mais crescem na América Latina, a Colômbia quer atrair grandes empresas e turistas brasileiros. Para isso, aposta em medidas que vão desde a isenção de impostos e garantias jurídicas para as companhias que se dispuserem a investir no país até o lançamento no Brasil de uma campanha para desvincular-se de problemas como o narcotráfico e a guerrilha - sob o slogan "Colômbia é Paixão". De acordo com o ministro de Indústria, Comércio e Turismo da Colômbia, Luis Guillermo Plata - que veio ontem ao Brasil para encontrar empresários de companhias como a CSN, a Gerdau e a Vale do Rio Doce -, o governo colombiano aposta em dois instrumentos para atrair os investimentos brasileiros. O primeiro são os benefícios fiscais. Um novo projeto permite a grandes companhias que investem no país atuarem como se estivessem numa zona franca em qualquer ponto do território colombiano. Os novos investidores têm redução de 34% para 15% nos impostos e não pagam tarifas para importar matéria-prima e bens de capital. "Na Colômbia, as empresas terão ótimas condições não só para vender para o mercado nacional, mas também para exportar", disse Plata ao Estado. Os requisitos são investir mais de US$ 32 milhões e criar 600 novos empregos diretos, no caso de indústrias, ou US$ 16 milhões, e 500 empregos, no caso de agronegócios. O segundo instrumento é um contrato que dá garantias jurídicas aos investidores de que as condições oferecidas ao entrar na Colômbia sejam mantidas por pelo menos 20 anos. "Se você investe hoje na Colômbia, mesmo que mude a lei, o presidente ou o ministro, terá essas condições asseguradas", diz Plata. "Isso é importante para os investidores, que estão acostumados a ver tudo mudar da noite para o dia em muitos países latino-americanos." De acordo com estimativas da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), a Colômbia deverá crescer 7,5% este ano. Na América do Sul, será superada apenas pela Venezuela, que tirou proveito da alta do petróleo, e pela Argentina, que ainda se recupera dos estragos causados pela crise de 2002. Mão firme no combate à criminalidade e às milícias que atuam no interior do país, juntamente com o fortalecimento das instituições e uma política de incentivos aos novos negócios foram os pilares do crescimento colombiano. Neste ano, o Brasil foi o país que mais investiu na Colômbia, graças aos aportes de quase US$ 400 milhões feitos pela brasileira Votorantim na siderúrgica Paz del Rio. Segundo Plata, a idéia é diversificar cada vez mais os investimentos. Ele diz que as áreas de maior interesse seriam turismo, infra-estrutura e a produção de biocombustível. "O Brasil tem uma experiência de 40 anos nessa área, e a Colômbia já é o segundo produtor do mundo", diz Plata. "Temos nesse momento 45 milhões de hectares não utilizados e propícios para a produção de biocombustíveis, onde não é preciso derrubar a selva amazônica nem deslocar cultivos importantes para a alimentação." O lançamento da campanha "Colômbia é Paixão" no Brasil foi programado para a noite de ontem. Durante o evento seriam homenageados os empresários Jorge Gerdau e German Efromovich, este presidente do Grupo Synergy (que controla a OceanAir e a Avianca). "Há alguns anos, a imagem da Colômbia sempre vinha vinculada ao tráfico e à guerrilha. Agora estamos conseguindo valorizar o que há de positivo no país", disse Ângela Montoya, diretora da campanha. Acordos com dez grandes operadoras de turismo têm como objetivo aumentar as visitas aos tradicionais destinos do país, como Cartagena. Neste ano, a Colômbia já recebeu cerca de 30 mil brasileiros. A meta é aumentar o número em pelo menos 30% em 2008.

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