carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

COLUNA-Feriados imprensam Copom e destacam pesado giro de moeda

Setembro abre o calendário com aprimeira semana encurtada por dois feriados que afetam o ritmodas transações financeiras. O Dia do Trabalho nos Estados Unidos pára os negócios nasegunda-feira e deixa o mercado doméstico às cegas. Na sexta, oBrasil sai do ar pelo Dia da Independência. Os três dias de negócios de perfeita conexão entre osmercados brasileiro e norte-americano serão turbinados,contudo, por pesado movimento de moeda. Aqui e lá. No Brasil, o Banco Central despejará 84 bilhões de reais oucerca de 43 bilhões de dólares no sistema bancário naquinta-feira. Lá, a moeda transitará na contramão. Os bancos devemdevolver ao Federal Reserve (Fed) 33,5 bilhões de dólaresemprestados, há alguns dias em intervenções diferentes, paragarantir liquidez a um mercado ainda atônito com as perdas docrédito imobiliário. Os recursos do BC chegarão às reservas bancárias noprimeiro dia de vigência da próxima Selic. A nova taxa, possivelmente 0,25 ponto percentual mais baixaque a atual de 11,50 por cento, será referência para a rolagemde grande parte de dezenas de bilhões de reais. Esta montanha de dinheiro corresponde ao vencimento de trêsoperações de venda temporária de títulos federais pelo BC,promovidas com o objetivo de nivelar a oferta de reais aoestoque de papéis públicos a ser financiado no curto prazo. Na quinta-feira, véspera de feriado nacional, o BCcreditará os recursos nas contas dos bancos e, imediatamente,deverá fazer a rolagem das operações. Uma delas poderá expirar em meados de outubro --quando oCopom fixará a penúltima Selic do ano. À FRENTE A reunião do Copom é o evento central da semana, mas, anteo consenso em torno da nova Selic, o mercado estica o olhar. "Os analistas estarão bem atentos aos indicadores queinfluenciarão o balanço de riscos na reunião do Copom emoutubro. Basicamente, índices de inflação e de atividade, bemcomo suas expectativas apresentadas no relatório Focus",explica o economista-chefe do Bradesco Octavio de Barros. Quanto à inflação, o mercado estará atento aos Serviços,uma vez que há preocupações em torno dos efeitos do aquecimentoda demanda para esses preços, pondera Barros. Ele lembra que o IPCA-15 de agosto revelou pressões maioresdo que as habituais sobre esses preços. "Para termos certeza de que as pressões estão vindogenuinamente da demanda, precisamos, porém, observar outrosíndices. Os núcleos também serão acompanhados atentamente, comuma possível deterioração do próximo resultado do IPCA." INFLAÇÃO E ATIVIDADE Neste início de setembro, dados sobre uso da capacidadeinstalada e produção industrial são destaques quanto àatividade, alerta o economista-chefe do Bradesco. "Estabilidade ou queda do uso da capacidade instalada,monitorada pela CNI, será vista de forma positiva, uma vez queo indicador tem sido objeto de destaque nas atas do Copom. Umaalta do uso da capacidade instalada, por sua vez, seráinterpretada como argumento adicional para que o Copom sinalizemaior cautela nas próximas decisões sobre os juros." Octavio de Barros alerta também para o comunicado que serádivulgado pelo Comitê, logo após o anúncio da decisão naquarta-feira. "O comunicado do Copom já poderá trazer algum sinal para aspróximas reuniões. Esses sinais podem ser dados, por exemplo,pelo placar da reunião. Unanimidade ou uma vitória apertada docorte de 0,25 ponto percentual, com os perdedores votando pelaestabilidade da Selic, apontando maior propensão a parar decortar o juro na reunião de outubro." CASTELO DE CARTAS Barros considera que no "front externo", cada indicador daeconomia norte-americana terá grande relevância no atualcontexto de maior aversão ao risco e seus impactos sobre a taxade câmbio no Brasil e, portanto, para as projeções de inflação. Pedro Jobim, economista-chefe do ING Bank Brasil, também vêo mercado atento aos índices de inflação e atividade domésticanos próximos dias. "O mercado estará atento, adicionalmente, ao ritmo dereprecificação de ativos aqui e no mercado internacional, alémdo comunicado do Copom, após a reunião de quarta-feira, e daata desta reunião. Estes elementos serão considerados pararevisões de cenário", lembra. Jobim vê o mercado externo ainda registrando volatilidademais intensa, mas sem grandes surpresas quanto às perdas comcrédito imobiliário no mercado norte-americano. "A maioria dos corpos que tinha que aparecer, na esteira dacrise, já emergiu. A crise está praticamente precificada nosativos financeiros. Pelo menos é assim que está montado o atualcastelo de cartas."

ANGELA BITTENCOURT, REUTERS

03 de setembro de 2007 | 08h22

Tudo o que sabemos sobre:
MERCADOSCOLUNASEXTA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.