Com 3ª queda seguida, Bovespa tem nova mínima em 28 meses

Puxada por novos indícios de recessão global e queda de ações do setor financeiro, Bolsa tem baixa de 3,57%

Da Redação,

23 de outubro de 2008 | 18h11

A Bolsa de Valores de São Paulo voltou a acusar o pessimismo dos investidores com novos indícios de recessão global e cravou a terceira sessão consecutiva de perdas nesta quinta-feira, 23. O Ibovespa fechou com queda de 3,57%, para 33.818 pontos, sob forte pressão das ações de bancos. O giro financeiro da sessão foi de apenas R$ 4 bilhões. Veja também:BC atua com força e dólar fecha em queda de 3,15%Consultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  Numa sessão volátil, em que a Bovespa chegou a subir mais de 2%, carregada pela recuperação das commodities e por soluços de ganhos em Wall Street, prevaleceu novamente o medo, que garantiu outra avalanche de ordens de vendas de ações. O setor financeiro puxou as perdas, sob liderança de Unibanco, que desabou 10,5%, a R$ 11,40. Logo atrás, Itaú perdeu 8,1%, valendo R$ 19,62.  As "novidades" no exterior à tarde não colaboraram com qualquer tentativa de recuperação na Bolsa brasileira, em especial porque predominaram informações negativas relacionadas a emergentes. Com destaque para a Rússia. Após a agência de classificação de risco S&P rebaixar a perspectiva do rating soberano de longo prazo do país de estável para negativa, o Banco Central russo anunciou que elevará as taxas para depósitos à vista, numa tentativa de conter a fuga de capitais do país. Ainda, o FMI confirmou, por meio de um porta-voz, que está discutindo possíveis pacotes de empréstimos para um número de países. O Fundo já disse que está discutindo potenciais empréstimos com a Hungria, Paquistão e Bielo-Rússia. Rumores de um suposto pacote de US$ 1 trilhão em ajuda do FMI para economias emergentes circularam esta manhã em Londres e Nova York - e até ajudaram nas altas vistas mais cedo em Wall Street. O porta-voz do FMI disse que o Fundo não "reconhece a cifra de US$ 1 trilhão".  Comentários sobre quebras de fundos de hedge feitos na conferência Hedge 2008, em Londres, foram mais um ingrediente pessimista. No evento, o economista Nouriel Roubini disse que centenas de fundos de hedge deverão falir e que as autoridades poderão ter que fechar os mercados financeiros por uma semana, senão mais, à medida que a crise force os investidores a desovar ativos. Emmanuel Roman, da gestora de investimentos GLG Partners, por sua vez, estimou que "entre 25% e 30% dos 8 mil fundos de hedge do mundo deverão desaparecer. Vale notar que caso um fundo de hedge grande, alavancado e que opere vários mercados quebre, isso gerará venda de ativos líquidos, incluindo nesse pacote moedas, ações, bônus, commodities (ser for o caso), entre outros. E o Brasil é considerado o emergente mais líquido, logo, sofreria com um eventual desmonte de posições decorrente da falência de um fundo nesses moldes. Um importante indicador da aversão ao risco referendou o movimento volátil visto nas bolsas. O índice de volatilidade da Chicago Board Options Exchange (CBOE), ou VIX, chegou a subir 14% na máxima do dia, mas registrava declínio de 0,55% às 18h10, para 69,27 pontos. No caso da Bovespa, dados do BC comprovam o elevado grau de aversão a risco instalado nos mercados globais este mês. Os investimentos estrangeiros em ações brasileiras, em outubro, acumulam um saldo negativo de US$ 4,398 bilhões até hoje. Só de ações negociadas no País, a saída é de US$ 4,394 bilhões. Em setembro, os investimentos em ações tiveram saída de US$ 1,863 bilhão. No ambiente doméstico, também pesou na Bovespa a decisão da BM&F de anunciar uma chamada de margem adicional para as posições com vencimento em novembro de 2008 dos contratos futuros de dólar comercial, euro, cupom cambial, swap cambial e opção sobre dólar disponível. "Muitos players locais venderam ações na Bolsa para fazer caixa e cobrir o aumento nas chamadas de margem para a BM&F", relatou o responsável pela mesa de DI de uma corretora em São Paulo, considerando que as chamadas estão "bem fortes". Outro fator local que segue pressionando o Ibovespa são as preocupações com o setor bancário. Apesar de afirmações de autoridades do governo de que não há nenhum banco quebrando no Brasil, o desconforto permanece entre os participantes do mercado e as ações das instituições financeiras refletiram isso, figurando entre as maiores quedas do índice. Unibanco Unit teve queda de 9,80% - a terceira maior do Ibovespa. Itaú PN caiu 8,24%, Bradesco PN -3,91% e Banco do Brasil ON -5,69%.

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