Com 42 marcas, Salão do Automóvel vai bater recorde

Evento, que será aberto na quarta-feira, terá como atrações principais modelos de luxo e carros 'verdes', menos poluentes

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Além dos tradicionais carros de luxo, alguns com preços exorbitantes, como o Bugatti Veyron, que custa R$ 9 milhões, os visitantes poderão ver no Salão do Automóvel de São Paulo, que as abre as portas na quarta-feira, as apostas futuras das montadoras em veículos elétricos e híbridos. O evento segue a tendência das feiras internacionais e tem como apelo os carros verdes, menos poluentes e mais econômicos.

Em linha com o que ocorre no mercado automobilístico este ano, que terá vendas recordes de 3,4 milhões de veículos, o salão tem o maior número de participantes em suas 26 edições. São 42 marcas, com 450 modelos expostos, dos quais 40% são lançamentos. O Brasil caminha para ser o quarto maior mercado mundial de automóveis e o salão de São Paulo está entre os seis maiores, atrás dos eventos de Frankfurt (Alemanha), Detroit (EUA), Xangai (China), Paris (França) e Tóquio (Japão).

"Esse será o salão mais expressivo realizado até hoje e é uma síntese da evolução do mercado e também da capacidade brasileira como produtora global", diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, que também preside a Fiat.

O público esperado também é recorde. "Vamos receber cerca de 625 mil visitantes até 7 de novembro", prevê Juan Pablo De Vera, presidente da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento. O último salão, realizado em 2008, no auge da crise financeira internacional, reuniu 36 expositores, 400 modelos e atraiu cerca de 600 mil pessoas.

Sustentabilidade. A maioria dos estandes traz alguma alusão ao meio ambiente para mostrar o esforço que o setor vem fazendo no mundo todo para diminuir o papel de vilão do automóvel na emissão de poluentes.

Embora considerem que o motor flex é a alternativa mais viável atualmente no País, as empresas começam a trazer das matrizes os modelos híbridos (com motor elétrico e a gasolina/diesel) e os puramente elétricos.

Entre as versões híbridas que serão importadas estão o Fusion, que a Ford lança no salão por R$ 134 mil, o BMW Série 7, que deve custar cerca de R$ 650 mil e o Mercedes-Benz S400, já à venda por R$ 430 mil. Porsche e a chinesa JAC terão os modelos Cayenne e J5 para testar a aceitação do público.

Na linha dos elétricos estarão o Nissan Leaf - modelo que começou a ser produzido em série no Japão na sexta- feira e poderá ser exportado para o Brasil-, o 620, da chinesa Lifan e o Mitsubishi i-MiVE, que na semana passada foi mostrado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Toyota apresenta o Prius Plug-in, o subcompacto elétrico FT-EV e o superesportivo FINE-S, alimentado por célula de hidrogênio.

Para garantir atenção na onda verde, expositores ligados à cadeia produtiva da cana-de-açúcar participam pela primeira vez do salão e vão mostrar o "labirinto canavial". Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o estande terá telas intuitivas, um cinema 3D e exposição de como funciona o motor flex, que usa etanol ou gasolina.

Super máquinas. Na lista das super máquinas - tradicional atração do salão do automóvel em seus 50 anos comemorados nesta edição -, está o CCXR E100, da marca sueca Koenigsegg, que é importado pelo grupo Platinuss e à venda por R$ 6 milhões. Ferrari, Maserati e Lamborghini terão cinco modelos à mostra cada uma, a maioria cotada acima de R$ 1 milhão. O carro mais caro no salão será o Bugatti Veyron Grand Sport, cotado a R$ 9 milhões.

Nove marcas chinesas apresentam 67 modelos importados como os compactos Benni Mini, da Chana, novo M100, da Effa Changhe e QQ, da Chery.

A indústria nacional aproveita para expor a linha 2011 e modelos que começam a ser fabricados no País como o Fiat Bravo e o Renault Fluence. Importados também serão as estrelas das montadoras, entre os quais o Citroën DS4, o Chevrolet Camaro e o Volkswagen Passat.

Carros conceito, que apresentam tecnologias futuras, embora em menor número também estarão na feira deste ano. A Fiat mostra o Mio, criado com sugestões de internautas, e a Ford expõe o Start com o propósito de testar design e conteúdo entre os visitantes.

Belini lembra que, nos últimos sete anos, o Brasil ampliou o consumo em 2 milhões de veículos, passando de 1,4 milhão de unidades em 2003 para 3,4 milhões neste ano. "Ultrapassamos a Alemanha e estamos nos fixando como quarto maior mercado do mundo", comenta.

O País, segundo o executivo, é "disputadíssimo" entre as principais marcas mundiais e a perspectiva é de continuidade da expansão. As montadoras vão investir US$ 11,2 bilhões entre os anos de 2010 e 2012 em aumento de capacidade produtiva, tecnologia e na elaboração de novos produtos.

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