Com 42 mil novas vagas, novembro é pior do ano

Resultado reflete perda de mais de 50 mil empregos na indústria de transformação

RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h07

Novembro foi o pior mês deste ano para o emprego com carteira assinada. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho registrou aumento das contratações formais de apenas 42,7 mil, o menor resultado mensal de 2011 e o pior desempenho para meses de novembro desde 2008. A indústria de transformação foi a que mais perdeu fôlego, com o fechamento de mais de 50 mil postos de trabalho.

No acumulado de janeiro a novembro, as contratações líquidas atingiram 2,320 milhões, crescimento de 6,46% em relação ao estoque de empregos existente no País no fim de 2010. O resultado desse período foi o segundo melhor na série do Caged, atrás apenas do resultado do ano passado, quando foram gerados 2,918 milhões empregos.

O Caged registrou contratações em novembro de 1,62 milhão enquanto as demissões somaram 1,58 milhão, ambos os maiores resultados para novembro. Mas o saldo é o pior para o mês desde 2008, quando foram fechadas 40,8 mil vagas. Em novembro de 2010, foram abertas 138,2 mil.

Os números do Ministério do Trabalho sinalizam que 2011 será muito pior para o mercado de trabalho do que 2010. Como dezembro sempre registra fechamento líquido de vagas, o resultado deste ano ficará abaixo do acumulado até novembro. Com a economia crescendo 7,5% ao ano, em 2010, os empregados com carteira assinada aumentaram em 2,53 milhões. Nos últimos 12 meses até novembro, a geração de empregos com carteira assinada foi de 1,9 milhão.

O Ministério do Trabalho, no início do ano, havia previsto um novo recorde este ano, com 3 milhões de novas vagas. Mas este número começou a ruir em meados deste ano, quando o mercado de trabalho desacelerou.

Crise. O impacto da perda de dinamismo da economia, em razão da crise, já tinha se intensificado no mercado de trabalho a partir de outubro. "Os efeitos da crise internacional parecem estar repercutindo com maior intensidade na indústria de transformação, que, nesses últimos meses, demonstra sinais de perda de dinamismo", afirma relatório do Ministério do Trabalho.

A LCA Consultores lembra que a indústria normalmente tem saldos negativos em novembro e dezembro, período em que terminam os contratos temporários para ampliação da produção para as vendas de fim de ano. No entanto, conclui que o resultado "amplamente negativo em novembro" sinaliza o fechamento de empregos não temporários.

Em novembro, segundo o Caged, a expansão do emprego foi positiva em quatro de oito setores. Os que mais ampliaram vagas foram comércio e serviços. Mas administração pública e extrativa mineral também contrataram mais do que demitiram.

Por outro lado, a indústria de transformação fechou 54,3 mil vagas em novembro. As demissões líquidas também ocorreram na agricultura, com 42,3 mil dispensas a mais que as admissões; na construção civil, com 22,8 mil; e em serviços industriais de utilidade pública, com a redução de 171 vagas.

Os dados mostram que houve elevação do emprego em 21 unidades da Federação em novembro. Os destaques foram Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná. Em São Paulo, as demissões superaram em 29.145 as contratações de novembro de 2011.

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