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Com a crise, indústria reduz ritmo de produção

Segundo estudo da FGV, uso da capacidade instalada cai, após atingir nível recorde em julho

Daniele Carvalho e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 00h00

O parque industrial brasileiro já começa a sentir o baque da crise internacional. Dados levantados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) a pedido do Estado mostram que alguns setores tiveram redução expressiva da utilização da capacidade instalada. Muitos deles estavam aproveitando ao máximo suas instalações e ocupando seu pessoal em três turnos de trabalho. Mas agora há folga na linha de montagem. O tombo foi maior para quem fabrica móveis, têxteis, químicos e indústria mecânica.Em geral, a indústria sofreu redução de 0,7 ponto porcentual de julho para outubro no uso da capacidade instalada, passando a 85,1%. O que mais impressiona na estatística é a rapidez da mudança. Em julho, o nível de capacidade havia atingido a maior marca da série histórica, iniciada em abril de 1995. A preocupação era com a inflação, provocada pela falta de condições da indústria de atender toda a demanda. Uma pesquisa da própria FGV indicava que 45% das empresas queriam elevar preços."Até meados deste ano, a preocupação era outra: questionava-se a capacidade da indústria em atender a demanda. Em poucos meses, o cenário mudou", diz Aloísio Campello, coordenador de sondagens conjunturais da FGV. Agora, a preocupação é em impedir uma queda maior na produção.Entre as categorias mais afetadas pela queda no uso da capacidade instalada está a de bens intermediários, que processa matérias-primas. O setor apresentou um recuo de 2,1 pontos porcentuais no uso de sua capacidade instalada, para 85,4%. Os fabricantes de máquinas e equipamentos (bens de capital) perderam um ponto porcentual, para 88,1%. O único indicador positivo foi o dos fabricantes de bens de consumo, com aumento de 85% para 86,2%. A maior retração apontada ocorreu entre os fabricantes de móveis. Em julho, eles usavam 85,7% da capacidade instalada; em outubro, 76,9%. O desaquecimento da economia americana é um dos fatores que levaram à queda. "Em julho, quando perguntados como estava a demanda externa, 41% disseram que estava forte. Em outubro, esse porcentual caiu para zero", diz Campello.Como metade das exportações da indústria moveleira são para os EUA, desde o início do ano o setor sofre os efeitos da crise das hipotecas. Em junho e julho, as fábricas deram férias coletivas, diz o presidente da associação dos fabricantes de móveis (Abimóveis), José Luiz Dias Fernandez.QUÍMICAA indústria química sentiu a mão pesada da crise. De julho para outubro, o uso da capacidade recuou de 85,3% para 81,6%. A maior empresa do setor petroquímico, a Braskem, cortou em 6% sua produção. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) diz que ainda não dispõe de dados de outubro e os números de setembro estão contaminados pela parada programada da Quattor."Com os dados que temos, fica difícil expurgar o que é efeito de parada e o que é crise. A sensação é que há retração da demanda", diz Fátima Coviello, gerente de economia da Abiquim. A palavra de ordem é queimar estoques. Novas encomendas só quando necessário.MONTADORASAs montadoras de automóveis vão usar este ano 85% da capacidade instalada. Em outubro, as vendas recuaram 11% em relação a setembro. Na comparação com outubro de 2007 a queda foi de 2,1%. Fiat, Ford, GM e Volks reduziram produção. "O mercado se retraiu por causa da contração do crédito. Isso levou a uma necessidade de férias coletivas para ajustar estoques em relação à demanda", diz o presidente da associação das montadoras (Anfavea), Jackson Schneider. Três montadoras de motos pararam em outubro. Segundo a associação das fabricantes, a Abraciclo, foram paralisações parciais. "Foi uma parada estratégica. A partir de janeiro a produção deve estar na nova fase de controle de poluição por veículo", diz o diretor-executivo da Abraciclo, Moacyr Paes.A indústria têxtil sofreu uma rápida mudança de direção. Em janeiro, o uso da capacidade estava em 84,8%, passando para 87,7% em abril e 89,2% em julho. Em outubro, o nível voltou para 86,1% O superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, diz que houve um "forte descompasso" provocado pela volatilidade do dólar. Enquanto as vendas de roupas e de calçados cresceram 11% de janeiro a setembro, a produção têxtil no Brasil aumentou apenas 1%. As importações de insumos cresceram 25%. "Houve uma abundância de importações de fios e matérias-primas que afetou o setor têxtil."

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