Wilton Júnior/Estadão-25/6/2020
Wilton Júnior/Estadão-25/6/2020

Com a palavra, seringa e Congresso

Acredito que o emprego formal continuará a crescer nos primeiros dois ou três meses de 2021

Hélio Zylberstajn, O Estado de S. Paulo

24 de dezembro de 2020 | 05h00

Em 2013 e 2014, anos de recessão do governo Dilma, o País perdeu 1,8 milhão de postos de trabalho formais. O desastre provocado pela pandemia levou muitos a acreditar que estes números se repetiriam. De fato, entre março e junho, perdemos 1,6 milhão de empregos formais. Felizmente as perdas foram contidas e pelo quinto mês consecutivo, o Caged exibe saldos positivos, crescentes e volumosos. O de novembro, de 414 mil, é o maior da série, iniciada em 1992. De julho até agora, criamos 1,1 milhão de empregos.

Poucos imaginavam uma recuperação tão rápida e forte. Como não é costume contratar em dezembro, a série de saldos positivos deverá ser interrompida, levando a uma perda líquida de 200 a 300 mil empregos em 2020. Se se confirmar, este será um resultado surpreendente, dada a gravidade da situação inicial.

O que esperar para 2021? Do lado da produção, as empresas, que não estavam preparadas para a recuperação rápida e vigorosa, estão fazendo de tudo para atender os clientes, inclusive contratando. Do lado do consumo, muitas famílias têm alguma poupança feita na pandemia. A última parcela do benefício emergencial ficará disponível em janeiro, quando será gasta. Os trabalhadores que tiveram contratos suspensos voltam em janeiro ao regime normal e não poderão ser demitidos. Levando isso tudo em conta, acredito que o emprego formal continuará a crescer nos primeiros dois ou três meses de 2021. 

Daí para a frente, tudo dependerá de fatores extraeconômicos. Um deles é a vacina. Se estiverem disponíveis, as seringas injetarão esperança e otimismo nos produtores e consumidores. Outro fator é a disputa pelas mesas diretoras do Congresso. Dependendo de quem ganhá-las, teremos um Legislativo mais ou menos ativo e reformista, o que também se refletirá nos humores dos consumidores, produtores e investidores. 

*PROFESSOR SÊNIOR DA FEA/USP 

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