Claudio Gatti
Claudio Gatti

‘Com a pandemia, alfaiataria teve queda de 70% nas vendas em 2020’

Segundo o estilista, principal desafio enfrentado foi a mudança repentina no 'código de vestimenta' para o trabalho

Entrevista com

Ricardo Almeida, estilista e empresário

Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 05h00

Reconhecido pelos ternos de alto padrão, o estilista Ricardo Almeida viu a pandemia afetar o mercado de moda masculina. O principal desafio enfrentado foi a mudança repentina no “código de vestimenta” para o trabalho, com a migração dos escritórios para o home office. Com o baque na alfaiataria, que teve uma queda de 70% nas vendas em 2020, Almeida contou que a marca conseguiu segurar o impacto com a linha mais casual. Segundo ele, a empresa “está em processo de recuperação” devido à crise da covid-19.

O que a marca fez na pandemia?

Nós desenvolvemos uma linha com malharia, jeans, moletom e polo, algo que o pessoal tem usado bastante em casa. E implementamos o e-commerce, que acelerou nossa venda. Temos também o projeto de sofisticar mais ainda a marca, trabalhando produtos com mais valor, como a camisa de R$ 819 de fio especial.

Quais os principais desafios?

Houve uma quebra muito grande da alfaiataria. Nós nem tínhamos e-commerce quando começou a pandemia e acreditamos muito mais na venda presencial. O e-commerce atendeu os clientes que já conheciam a marca. Acredito que seja o nosso maior obstáculo. Nós também tivemos problemas de falta de matéria-prima e aumento de preços dos insumos.

Quais os planos de ampliação?

Estamos montando uma loja na Cidade Matarazzo (em São Paulo), que vai ser uma consultoria de imagem. Não vai ter roupa exposta. Vamos passar o que é bom para a pessoa, identificar as necessidades, fazer um trabalho mais explicativo. Também estou abrindo lojas em Brasília e Belo Horizonte. Com a pandemia, muitos shoppings não souberam entender o mercado. Isso acabou acelerando outras ideias, como essas casas que estou construindo.

A Ricardo Almeida quer conquistar o público feminino?

Tenho uma equipe forte no masculino, supervisiono a parte de criação, então peguei o feminino para mim. Acredito que a alfaiataria é muito forte, e as mulheres querem trabalhar e crescer. Eu enxergo que há um mercado grande. Pretendo dar uma orientação para essas clientes.

Já pensou em vender a grife?

Se eu fosse vender, seria no máximo 20% para acelerar a compra de outras empresas. Eu já tenho três marcas no meu radar, mas, devido à pandemia, isso atrasou. Essa aquisição não se dará de imediato nem simultaneamente. Tudo fará parte de um processo cauteloso que está sendo estudado e avaliado. 

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