Com a queda dos juros, ganhar com aplicações vai exigir mais conhecimento

Sempre ouço falar de aplicação no Tesouro Direto, mas creio que para mim as aplicações em Fundo de Investimento e CDB são opções melhores, pois consigo acompanhar e entender melhor os resultados dos investimentos. Gostaria de saber a sua opinião.

Fábio Gallo,

18 de junho de 2012 | 03h05

A decisão de investimento depende de vários fatores e um deles sem dúvida considera o comportamento do investidor em relação a essa aplicação. Os fundos de investimentos têm como vantagem a facilidade de operação, ou seja, é fácil aplicar em fundos. Além disso, você conta com um profissional de finanças trabalhando para que você tenha os seus recursos mais bem aplicados. Por outro lado, isso tem um custo e com grau de risco relativamente maior que os títulos do Tesouro. Os CDBs também são títulos de fácil operação, sem custos de administração. O grau de risco é baixo, representado pelo risco da instituição financeira em que os recursos são aplicados, mas com a importante diferença que há garantia total até R$ 70 mil pelo FGC. Os títulos do Tesouro Direto não têm risco de crédito porque são emitidos pelo Tesouro Nacional, com taxa de operação muito baixa. Mas o importante é você comparar esses investimentos em relação ao rendimento líquido obtido, obviamente considerando o que apontei como risco de cada tipo de investimento e os seus custos relativos. Uma dica é acompanhar mais o desempenho dos diversos tipos de investimentos para cada vez mais você ficar à vontade com as várias oportunidades que o mercado oferece. Lembre-se de que, com a redução dos juros de nossa economia, ganhar dinheiro com aplicações financeiras vai ficar mais difícil e vai exigir mais conhecimento de todos nós.

Tenho dúvidas em relação à vantagem de uma aplicação em previdência privada. Quando esse investimento é vantajoso? É somente para os mais novos?

Não. Planos de previdência são indicados para todos que pensam na sua sobrevivência depois de sair do campo de trabalho. Obviamente quem começa a se preocupar mais cedo leva vantagem porque, com um valor relativamente menor, poderá formar uma reserva maior porque tem mais tempo para constituir essa poupança. Mas há vantagens interessantes para todos. Algumas delas são: trata-se de produto securitário que permite uma renda na época de aposentadoria; nos planos de previdência você pode optar por tabela de tributos com taxa regressiva, de forma que, na taxa para aplicações com prazo de dez anos, a alíquota caia para 10%; PGBL traz um benefício tributário de redução em até 12% da receita bruta anual tributável no Imposto de Renda; você programa as suas aplicações mensais; há portabilidade entre planos, caso você não esteja satisfeito com o seu plano atual; e no PGBL e no VGBL, em caso de morte do participante, durante o período de acumulação, a reserva acumulada vai diretamente para os beneficiários, sem entrar no inventário.

Os juros estão caindo. Será que em 2013 eles voltam a subir? Tenho duas aplicações em CDB DI (R$ 85 mil e R$ 185 mil) que venceram em maio e não sei o que fazer com elas. Onde aplicar? Tenho outra dúvida. Quando houve as divisões das elétricas recebi ações de diversas empresas, além da Cemig, que meu marido falecido havia comprado. Gostaria de ficar só com a Cemig e vender as outras, comprando apenas uma delas, a que fosse mais rentável e com dividendos. O que você me aconselha?

Os sinais que temos hoje é de que os juros devem cair mais um pouco em julho - a aposta do mercado é que a taxa Selic deve ir para 8%. Mas para o futuro depende do que ocorrer em termos de inflação. A perspectiva para 2013 é que o índice esteja um pouco mais alto do que neste ano. O boletim Focus (Bacen) traz a projeção de taxa Selic para o final de 2013 em 9% ao ano, ou seja, maior que a taxa de 2012. Com relação a suas aplicações em CDB DI, com a redução das taxas de juros elas devem estar oferecendo menor rentabilidade, assim vale a pena comparar o rendimento dessas aplicações com a rentabilidade oferecida com os títulos do Tesouro Direto, pois há possibilidades de aplicações interessantes. Você poderá pesquisar, também, ofertas de fundos de renda fixa, desde que aproveite taxas de administração bem baixas porque, caso contrário, até a caderneta de poupança é melhor. Manter uma carteira de ações é interessante, mas depende muito da representatividade dessa aplicação no total de investimentos que você mantém. Na sua condição, acredito ser indicado manter no máximo uns 20% em ações. Caso o seu desejo seja manter dinheiro investido em renda variável, comprar ações que distribuam dividendos é interessante.

* FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV E DA PUC-SP

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