Fabio Motta/ Estadão - 18/6/2015
Fabio Motta/ Estadão - 18/6/2015

Com a retomada de viagens internacionais, Brasil tem a oportunidade de atrair ecoturistas

No entanto, uma visão estratégica do poder público será necessária para transformar o potencial existente em realidade

Leide Takahashi*, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2021 | 04h00

Um dos primeiros setores econômicos a sentir os efeitos da pandemia e um dos últimos a retomar suas atividades, o turismo vive certo otimismo para 2022. Mas depois de tudo o que a humanidade viveu nos últimos dois anos é difícil imaginar um simples retorno aos hábitos do passado.

Além de preocupações sanitárias que persistem, uma consciência cada vez maior em relação à sustentabilidade do planeta já impulsiona viagens e experiências mais responsáveis e autênticas, que também possam gerar impactos positivos para as pessoas e o meio ambiente.

Um exemplo dessa nova consciência é o compromisso assinado por mais de 300 entidades do setor do turismo para a redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030. O anúncio ocorreu durante a 26.ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-26), realizada recentemente em Glasgow, na Escócia.

Mesmo antes da pandemia e da maior percepção sobre a emergência climática, o turismo relacionado às belezas naturais vinha em franca expansão. A Organização Mundial do Turismo (OMT) estimava em 2015 uma média de crescimento para os embarques internacionais de 3,3% ao ano até 2030, com maior aceleração na África, Ásia/Pacífico e América Latina, especialmente em razão dos destinos com patrimônios naturais mundiais.

Com a retomada das viagens internacionais, podem surgir ótimas oportunidades para o Brasil, que possui atrativos naturais de grande interesse e, mesmo com todas as dificuldades e perdas da pandemia, tem demonstrado boa capacidade para vacinar sua população e reduzir a letalidade do novo coronavírus. No entanto, o País precisa demonstrar mais compromisso com a proteção da biodiversidade para surfar nessa onda que pode ser muito favorável.

Vale ressaltar que a diversidade biológica é um grande atrativo turístico em inúmeros países, em especial naqueles que possuem espécies bandeira que são verdadeiras celebridades, como os pandas-gigantes da China, as girafas da África, o mico-leão-dourado do Brasil, entre outros. Há anos existem agências especializadas em organizar viagens aos patrimônios naturais da humanidade, assim como para os observadores de aves, grupo de turistas que cresce a cada ano.

Naturalmente, uma visão estratégica do poder público será necessária para transformar o potencial existente em realidade, por meio de investimentos em qualificação de pessoas, infraestrutura e, sobretudo, na proteção efetiva de nossos biomas. Acreditamos que a natureza deve ser o nosso destino não somente como sinônimo de um lugar ou paradeiro, mas principalmente como caminho para o nosso futuro mais sustentável.

*GERENTE DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE DA FUNDAÇÃO GRUPO BOTICÁRIO DE PROTEÇÃO À NATUREZA E MEMBRO DA REDE DE ESPECIALISTAS EM CONSERVAÇÃO DA NATUREZA

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