Com a Vivo, Telefónica é a maior do País

Grupo espanhol prepara-se para integrar operações fixa e móvel

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Depois de anunciar sua intenção de comprar a participação da Portugal Telecom (PT) na Vivo há quatro anos, a Telefónica conseguiu fechar o negócio ontem. A empresa pagará 7,5 bilhões por 30% da operadora celular brasileira transformando-se no maior grupo de telecomunicações do País em número de clientes e em faturamento.

"Vamos ampliar a oferta de serviços convergentes", disse Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefônica no Brasil. A empresa espanhola planeja unir a Vivo à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo, para oferecer pacotes integrados de serviços.

Segundo Valente, a empresa apresenta hoje o pedido de anuência prévia à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A expectativa é que o negócio seja concluído em 60 dias. "Não estamos colocando prazo para ninguém, mas a operação é simples, pois já estamos no controle da Vivo."

A Telefónica está comprando a metade que não pertencia a ela na Brasilcel, empresa que detém 60% da Vivo. Os espanhóis enfrentaram bastante resistência em Portugal, mesmo tendo elevado várias vezes a oferta, que havia começado em 5,7 bilhões no mês de maio.

O pagamento à PT será feito em três vezes. Os portugueses receberão 4,5 bilhões no fechamento do negócio, 1 bilhão em 30 de dezembro deste ano e 2 bilhões em 31 de outubro de 2011. Segundo a agência Dow Jones, a Telefónica fechou um acordo com bancos para obter um empréstimo de ? 8 bilhões, parte do qual será utilizado para financiar a aquisição da participação da PT na Vivo, citando fontes próximas ao negócio.

Os bancos ofereceram cerca de ? 10 bilhões para o financiamento, que está sendo coordenado pelo Citigroup. O financiamento está dividido em um empréstimo de três anos de ? 5 bilhões e um empréstimo de 5 anos de ? 3 bilhões.

Sinergias. A Telefónica espera se beneficiar de 2,8 bilhões em sinergias na união da Telesp e da Vivo. "Agora vem a parte difícil, de unir empresas com estruturas e culturas diferentes", afirmou Luís Minoru Shibata, diretor de consultoria da PromonLogicalis.

Valente afirmou que o processo de integração será feito com "muito cuidado e vagar". "Estamos começando a estudar esse processo com muito detalhe neste momento", afirmou. Ele preferiu não arriscar quando os acionistas da Telefónica começariam a ver os resultados dessa integração.

O presidente da Telefônica destacou o aumento da importância do Brasil para o grupo com a compra da Vivo. O País passou a concentrar o maior número de clientes da Telefónica no mundo, com 26% do total. O Brasil também passou a ser o segundo em receita, com 20% do faturamento do grupo. "Só perdemos para a Espanha, que tem quase 32%", destacou Valente.

A Vivo foi criada no fim de 2002 e os problemas de relacionamento entre os sócios começaram logo em seguida, afetando até o desempenho da empresa nos primeiros anos.

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