Com ABN, Santander torna-se o maior banco privado do País

Ativos do grupo somam R$ 245,621 bi; para especialistas, compra aumenta a competição no mercado financeiro

Silvia Fregoni, do Estado,

08 de outubro de 2007 | 08h36

Com a compra do grupo holandês ABN Amro pelo consórcio RBS, Fortis e Santander, por US$ 101 bilhões, o espanhol torna-se o maior banco privado do País, conforme o ranking do Banco Central, que considera os ativos da controladora deduzidos da intermediação financeira. Já no ranking das operações consolidadas dos grupos financeiros brasileiros, o Santander se consolida na segunda posição, atrás do Bradesco, com uma larga vantagem sobre o Itaú que cai para o terceiro lugar. Veja também:Consórcio de bancos consegue aprovar compra do ABN O consórcio aguarda apenas a contagem dos últimos votos, que foram enviados pelo correio, para declarar sua oferta incondicional e colocar um fim na disputa travada com o Barclays nos últimos seis meses. Na noite de sexta-feira, a proposta do trio de bancos contabilizava 85% de apoio entre os acionistas do banco holandês. A maior aquisição do setor financeiro no mercado internacional mexe também com o mapa do sistema no Brasil. Pelo ranking de junho do BC, o ABN Amro Real era o terceiro colocado, com ativos de R$ 149,441 bilhões, e o Santander estava na quinta colocação, com R$ 96,180 bilhões. A soma dos ativos cria um banco de R$ 245,621 bilhões, contra R$ 237,390 bilhões do Itaú e R$ 215,353 bilhões do Bradesco.  Considerando o balanço consolidado, o ABN Amro tem R$ 154,153 bilhões em ativos, segundo levantamento da Austin, e o Santander, R$ 123,610 bilhões. Dessa forma, a compra resulta em uma instituição financeira com ativos de R$ 277,763 bilhões, contra R$ 255,418 do Itaú. O Bradesco mantém a liderança com R$ 290,568 bilhões. Para o professor William Eid Jr., da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, com a investida do espanhol, surge um banco "híbrido" entre Bradesco, com perfil mais popular, e Itaú, que atua em um nicho de renda um pouco superior. "Até pelo fato de o Santander ter comprado o Banespa, os clientes do banco são, em média, de menor poder aquisitivo. Já o ABN Amro Real é predominantemente de classe média", afirma. "Dessa forma, haverá muita sinergia entre as instituições, com pouca sobreposição de clientes e agências", complementa. O consenso entre os especialistas do setor é de que a troca de controle do ABN Amro aumentará a competição no mercado financeiro brasileiro. "Bradesco e Itaú ficarão muito mais ativos e ligados em oportunidades que aparecerem", destaca Erivelto Rodrigues, presidente da Austin. Para o professor William Eid Jr., certamente voltarão os rumores sobre a possibilidade de venda do Unibanco, presentes no mercado há anos. "O Unibanco ficará sob fogo cerrado", concorda João Augusto Salles, da Lopes Filho. A compra do ABN significa o segundo grande lance do Santander no mercado financeiro brasileiro. A primeira investida de expressão foi em novembro de 2000, quando levou o Banespa por R$ 7,050 bilhões, com ágio de 281% em relação ao preço mínimo. O espanhol iniciou as operações no Brasil em 1982, ao instalar um escritório de representação no País. Dando início ao processo de crescimento, a instituição comprou o Banco Geral do Comércio em 1997, o Noroeste em 1998 e o Conglomerado Meridional em 2000.

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