Com ação agressiva de bancos públicos, BC eleva previsão de crédito este ano

Estimativa de expansão do crédito subiu de 20% para 22%, com o aumento das operações do BNDES e da Caixa Econômica Federal

Fernando Nakagawa, Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

O Banco Central aumentou a previsão para a expansão do crédito em 2010. Estimativa divulgada ontem mostra que as operações às famílias e empresas vão crescer 22% no ano. A aposta anterior era de 20%.

O avanço reflete o bom momento da economia, que encoraja os empréstimos, e também a forte ação dos bancos públicos. O BC passou a prever que instituições estatais devem, mais uma vez, liderar a expansão do crédito em 2010. Antes, a aposta era nos bancos privados.

O crescimento da economia tem sido o principal motor da expansão acelerada do crédito. Segundo o BC, o avanço dos empréstimos é alimentado pela alta do emprego, renda crescente e a própria atividade aquecida.

"A situação positiva da economia encoraja empréstimos para o consumo entre as famílias. Nas empresas, há confiança para novos investimentos ou maior capital de giro", afirma o chefe adjunto do departamento econômico do BC, Túlio Maciel. No fim do ano, o crédito deve corresponder a 48% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto, estava em 46,2%, mais um recorde.

A decisão de tomar um novo financiamento é sempre sustentada pela confiança no futuro, diz o professor de finanças do Insper, Ricardo José de Almeida. E o otimismo de famílias e empresas segue elevado. Ontem, a Fundação Getúlio Vargas divulgou alta do índice de confiança dos consumidores para o maior nível em cinco anos. Já o dado das empresas recuou, mas segue bem acima da média histórica.

Bancos públicos. Mas há outro fator que influencia o movimento positivo do crédito: a ação dos bancos públicos. Mesmo com a saída da crise e o crescimento robusto da atividade, instituições estatais continuam agressivas na oferta de crédito, especialmente nos empréstimos direcionados. Diante dessa realidade, o BC alterou as previsões, elevando a estimativa dos empréstimos nas instituições públicas de 20% para 24% neste ano. Ao mesmo tempo, foi revisada para baixo a expectativa para os bancos privados nacionais, de 24% para 22%. Já a aposta para instituições estrangeiras cresceu de 9% para 14%.

A aposta de que os públicos devem, mais uma vez, liderar o crédito resulta do comportamento recente dessas instituições. Nos últimos 12 meses, bancos estatais aumentaram os financiamentos em 24,4%. Enquanto isso, bancos privados nacionais cresceram 17,8% e os estrangeiros, 11,3%.

Boa parte da força dos públicos é atribuída ao BNDES. No último ano, o total de operações do banco saltou 32,3%. Outro segmento em evidência é o habitacional, em que a Caixa é líder e teve crescimento dos financiamentos de 51,1% em 12 meses.

Ricardo Almeida, do Insper, explica que os bancos públicos ampliaram a oferta de crédito no auge da crise, quando conseguiram "roubar" clientes dos privados. Agora, com a oferta de empréstimos nos concorrentes, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal tentam continuar ganhar mercado com a redução dos juros.

Ao mesmo tempo, o professor de finanças observa que há sinais de alguma retração das instituições financeiras privadas na oferta de crédito. "Como a inflação dá sinais de que segue em alta, cresce a expectativa de que o juro básico da economia deve subir em breve. Isso vai retrair o crédito e os privados podem estar se antecipando."

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