Com aftosa, Fipe aponta alta no preço da carne

Os principais cortes de carne bovina tiveram seus preços elevados em até 4,60% - caso do patinho - na segunda quadrissemana de outubro, na primeira coleta de preços depois da descoberta dos primeiros focos de febre aftosa no rebanho bovino do Mato Grosso do Sul. A observação foi feita hoje pelo coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti.Ele ressaltou, entretanto, que não se pode atribuir o movimento de alta inteiramente à aftosa, até porque os pecuaristas já vinham forçando uma tendência de reposição de preços, já que a deflação das carnes até então não era típica do período.De qualquer forma, avaliou o coordenador do IPC, existe uma incerteza quanto ao impacto da doença sobre os preços das carnes. "Apesar das interpretações contraditórias e até de sinais, o fato é que os preços subiram pela primeira vez desde a identificação dos focos da doença", disse Picchetti, acrescentando que na ponta, o preço da arroba do boi na segunda quadrissemana de outubro estava 7,8% mais cara, ante uma elevação, também na ponta, de 4,6% na primeira quadrissemana do mês. É certo, portanto, de acordo com o coordenador, que os preços, que vinham caindo, não estão mais em queda.Além do patinho, outros cortes que apresentaram alta foram coxão mole (4,35%), alcatra (3,58%), acém (3,02%) e contra filé (4,24%). No período, também tiveram aumento de preços o frango (10,28%) e a lingüiça (2,79%), que funcionam como substitutos das carnes bovinas.Preço do pãozinhoA redução da alíquota do ICMS incidente sobre os preços do trigo e seus derivados pode só agora estar chegando ao preço do pão francês, disse Picchetti. O preço pago pelo pão na cidade de São Paulo na segunda quadrissemana de outubro caiu, em média, 1,15%.Essa queda, de acordo com Picchetti, explica parte da desaceleração do grupo composto pelos alimentos industrializados, de 0,42% na primeira quadrissemana do mês para 0,28% na segunda medição deste mês. Por causa dos alimentos industrializados, o grupo dos preços da indústria como um todo diminuiu seu ritmo de alta de 0,32% para 0,18%.A redução da alíquota de ICMS para trigo e derivados foi sancionada pelo governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, na última semana de setembro. Na prática, o que ocorreu foi uma isenção do tributo para este segmento, uma vez que a taxa média era de 7% e agora passou a ser 0%.A previsão inicial do governo estadual era de que a isenção do imposto fosse resultar em uma queda entre 5% e 10% para os preços ao consumidor de pães, biscoitos e massas. Para o pão francês, a estimativa era de uma queda de 5% na ponta do consumidor, mas, à época, foi constatado o retardamento por parte das padarias do repasse do benefício.Na segunda quadrissemana do IPC-Fipe, porém, o valor do pãozinho já caiu 1,15% e o coordenador da Fipe está associando esta queda ao benefício fiscal.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2005 | 15h28

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