Gabriela Biló/Estadão
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Com agenda liberal perdida, Guedes manda recado para o chefe

Ministro subiu o tom ao alertar presidente: furar o teto poderá levá-lo a 'zona sombria' do impeachment

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2020 | 22h32

Com a agenda liberal em xeque pelos planos de reeleição do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vive o seu inferno astral particular. 

Justamente no momento em que costurava com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e lideranças um acordo em defesa do teto de gastos no Congresso, Guedes se viu diante da “debandada” (nas suas próprias palavras) de mais dois dos seus secretários especiais: Salim Mattar e Paulo Uebel.

A queda de Salim e Uebel - no mesmo dia -  expõe de maneira clara as divergências entre o grupo de auxiliares “desenvolvimentistas” versus os “liberais”  da equipe econômica em torno do programa de retomada da economia depois do fim do Estado de calamidade da pandemia da covid-19.  

A divisão ficou ainda mais desbalanceada com o fortalecimento da ala militar pró-gastos e a aliança do presidente Jair Bolsonaro com lideranças de partidos do Centrão que lhe prometeram votos para na próxima. Votos que dependem de irrigação de recursos para obras e programas de governo.

O embate está em curso em torno dos gastos do governo e pega o ministro com uma equipe desidratada, num  momento de maior fragilidade diante do aumento da desconfiança dos investidores com a política fiscal.

Guedes resiste e hoje subiu o tom ao mandar um recado público ao presidente: furar o teto poderá levá-lo a "zona sombria" do impeachment. As palavras chocam.  

Nos últimos meses em Brasília, tem sido assim: o Ministério da Economia contra toda a Esplanada.

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