Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Com ajuda de venda de ações, BNDES lucra R$ 11,1 bi no primeiro trimestre

Alta foi de 436,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com o presidente do banco, Joaquim Levy, lucro foi turbinado, principalmente, pela venda de ações da Petrobrás

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 11h30
Atualizado 15 de maio de 2019 | 12h21

RIO - O lucro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atingiu R$ 11,1 bilhões no primeiro trimestre de 2019, alta de 436,7% em relação ao lucro obtido no mesmo período do ano anterior. De acordo com o presidente do banco, Joaquim Levy, o lucro foi turbinado pela venda de ações da Petrobrás, principalmente, além da negociação dos papéis da Vale, Fíbria e Rede.

As vendas de participações societárias tiveram incremento no primeiro trimestre do ano de 1.081,0% para R$ 12,5 bilhões. A participação total do BNDES na Petrobrás caiu de 15% em 31 de dezembro de 2018 para 13,90% em 31 de março de 2019, informou Levy.

BNDESPar

A empresa de participações do BNDES, a BNDESPar, teve lucro de R$ 8,6 bilhões no primeiro trimestre do ano, contra R$ 570 milhões em igual período do ano anterior. Ao todo, a empresa vendeu R$ 10,3 bilhões em participações, com destque para Petrobrás, Fíbria e Vale.

Somente em Petrobrás foram vendidos R$ 4 bilhões, informou o presidente do banco, Joaquim Levy, ressaltando que no caso da alienação das ações da Fíbria, 75% foi recebido diretamente no caixa e o restante em participação da Suzano.

Segundo o BNDES, o valor da carteira de participações societárias atingiu R$ 108,3 bilhões, crescimento de 12,3% em relação a dezembro de 2018.

Os ativos totais da carteira da BNDESPar subiram de R$ 107 bilhões em dezembro de 2018 para R$ 119,6 bilhões. O patrimônio líquido fechou o primeiro trimestre em R$ 104,2 bilhões, sendo R$ 77,4 bilhões em participações societárias, contra R$ 93 bilhões no final do ano passado.   

Crédito

Joaquim Levy disse também que o BNDES está liderando a queda do crédito direcionado em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) entre as demais instituições financeiras públicas.

Segundo ele, entre 2015 e 2019, o crédito do BNDES caiu de 11,3% para 7% do PIB, enquanto as demais instituições, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, entre outras, registraram queda de 15,2% para 14,5% do PIB.

"O BNDES teve redução bastante significativa do crédito direcionado. Se deu basicamente no banco. O BNDES foi, senão a única, a principal fonte de redução de crédito direcionado", afirmou Levy durante coletiva sobre o lucro nos primeiros três meses do ano, um recorde para um trimestre desde o início da série histórica, em 2002, atingindo R$ 11,1 bilhões.

Ele informou que o porcentual do crédito direcionado do BNDES está voltando aos patamares pré-crise de 2008, de 6,5% a 7% do PIB, como registrado em 2007, depois de ter tocado 11,3% em 2015. Juntando todas as instituições com crédito direcionado, em 2015 essa modalidade representava 26% do PIB do País, destacou Levy.

"Estamos fazendo (reduzir crédito direcionado) e vai continuar a ser feito, e é o que permite que a gente devolva dinheiro para o Tesouro, porque o mercado tem capacidade de atender essas demandas e deve estar contribuindo para diminuir o empréstimo direcionado", disse Levy, lembrando ainda que a redução da atuação do BNDES abre espaço para outros instrumentos, como as debêntures, e para o aumento de crédito livre por outras instituições.

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