Com ajuda para o mercado de ações, Fed beneficou seu próprio presidente

Patrimônio de Bernanke somava entre US$ 1,2 milhão e US$ 2,5 milhões no fim de 2009, ante US$ 850 mil e US$ 1,9 milhão um ano antes

Renato Martins, da Agência Estado,

30 de julho de 2010 | 14h07

A recuperação do mercado de ações que o Federal Reserve ajudou a acontecer em 2009 beneficiou o próprio presidente da instituição, Ben Bernanke. Segundo formulários de histórico financeiro divulgado nesta sexta-feira pelo Fed, o patrimônio de Bernanke somava entre US$ 1,2 milhão e US$ 2,5 milhões no fim de 2009, mesmo nível de 2007. No final de 2008, quando o mercado de ações estava abalado pela crise financeira, o valor do patrimônio de Bernanke estava entre US$ 850 mil e US$ 1,9 milhão.

Os formulários são usados por funcionários do Poder Executivo dos EUA e mostram os ativos e a renda em faixas amplas de valor. A maior parte da elevação do patrimônio de Bernanke no ano passado veio dos rendimentos de um fundo de ações de grande capitalização que ele mantém e cujo valor elevou-se da faixa de US$ 250 mil a US$ 500 mil no fim de 2008 para a faixa de US$ 500 mil a US$ 1 milhão no fim do ano passado. O salário anual de Bernanke no Fed em 2009 foi de US$ 199.700; os dos demais diretores da instituição foram de US$ 179.700.

Outros dirigentes do Fed também tiveram ganhos de patrimônio declarados em 2009. O diretor Kevin Warsh declarou ativos em seu nome de US$ 1,4 milhão a US$ 3,5 milhões no fim do ano passado, da faixa de US$ 670 mil a US$ 1,4 milhão no fim de 2008; ele também declarou posições em ações e bônus mantidos por sua mulher, Jane Lauder, executiva da empresa de cosméticos Estée Lauder, no valor de dezenas de milhões de dólares.

O diretor Daniel Tarullo declarou bens na faixa de US$ 1,4 milhão a US$ 3,5 milhões; a diretora Elizabeth Duke declarou um patrimônio na casa das dezenas de milhões de dólares. O vice do Fed, Donald Kohn, só deverá declarar mais tarde no ano, porque vai deixar o cargo no próximo mês.

Dirigentes do Fed têm uma série de restrições sobre onde podem ou não investir; por exemplo, eles não podem ter ações de bancos ou cotas de fundos com foco no setor financeiro; eles também não podem comprar ou vender valores mobiliários na semana anterior às reuniões de política monetária. As informações são da Dow Jones.

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