Com ajuste, venda da Celg-D terá nova chance

O fracasso do leilão da Celg-D, em agosto, por falta de interessados, deixou uma lição importante: as concessões ou privatizações devem estar em linha com as condições de mercado na época em que se realizam

O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2016 | 03h15

O fracasso do leilão da Celg-D, em agosto, por falta de interessados, deixou uma lição importante: as concessões ou privatizações devem estar em linha com as condições de mercado na época em que se realizam. Do contrário falham e o Tesouro deixa de arrecadar os recursos previstos, o que atrasa os investimentos na melhoria dos serviços à população. Depois de nova avaliação, o governo prepara um novo leilão da distribuidora de energia de Goiás, a realizar-se ainda este ano, talvez em novembro, a um preço mínimo considerado mais realista, de R$ 1,791 bilhão, de modo a atrair investidores.

O governo da ex-presidente Dilma Rousseff resolveu transferir o controle da Celg-D para o setor privado em maio de 2015, por R$ 2,8 bilhões, mas o edital só foi publicado 12 meses depois. Nesse período, o cenário mudou, o que influiu no ânimo dos investidores potenciais, já prejudicado por práticas antiprivatistas do governo Dilma.

O entrave burocrático e o viés estatista serão, agora, evitados. O BNDES, que coordenará a privatização, promete publicar o edital no 4.º trimestre, em condições ajustadas ao cenário econômico atual. Pode ser, como disse a presidente do banco, Maria Sílvia Bastos Marques, que o preço anterior fosse razoável na época em que foi fixado, mas na data acertada o que se viu foi um “leilão deserto”.

Na determinação do novo preço, foi levado em conta o fato de que a Celg-D - na qual a Eletrobrás tem participação de 50,93% e o governo de Goiás, de 49% - tem dívida de R$ 2,6 bilhões, cujo total, com suas obrigações, terá de ser assumido pelo futuro controlador. Naturalmente, isso fez reduzir o lance mínimo para o próximo leilão. Prevê-se, também, que seja feita uma oferta mínima de R$ 82,595 milhões para aquisição de ações detidas por funcionários da ativa ou aposentados. As informações sobre o processo de venda da distribuidora já estão acessíveis e devem ser debatidas em audiência pública em Goiás.

Como a Celg-D será a primeira das distribuidoras estaduais de energia federalizadas nos últimos anos a integrar o Programa de Parcerias de Investimento (PPI) anunciado pelo governo Michel Temer, sua venda tem o sentido de um teste. Por esse motivo, o secretário executivo do PPI, Moreira Franco, terá encontros com investidores nacionais e estrangeiros para promover a privatização da distribuidora goiana, bem como de outras elétricas deficitárias, para evitar decepções.

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