Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Com alívio no exterior, mercado acompanha desdobramentos da reforma da Previdência

Câmara aprovou texto-base nesta madrugada e vai votar os destaques durante o dia; economia prevista em dez anos por enquanto se mantém em R$ 933,5 bilhões

Silvana Rocha e Luciana Xavier, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 08h33

O mercado acompanha nesta quarta-feira, 7, a votação dos destaques ao texto-base da reforma da Previdência, que foi aprovado em segundo turno na Câmara no começo desta madrugada, por 370 votos a 124, com nove votos a menos que na primeira etapa.

Também ficam no radar os sinais positivos nas Bolsas internacionais após a China, aparentemente, se abster de desencadear uma guerra cambial em meio a disputas comerciais com os Estados Unidos.

Governo espera que Senado vote reforma até setembro

Na Câmara, o texto aprovado pelos deputados ainda pode ser mudado. Oito destaques para suprimir trechos da proposta foram apresentados, sete deles da oposição e um do partido Novo, para tentar acabar com a transição e endurecer ainda mais as regras.

Na mira da oposição estão as mudanças no abono salarial, na regra de cálculo, na pensão por morte, além do pedágio de uma das transições para a aposentadoria.

Depois dessa fase, o texto vai para o Senado, onde a tramitação inclui votação na Comissão de Constituição e Justiça e em dois turnos no plenário da Casa. Serão necessários 49 votos dos 81 senadores e o governo prevê que a tramitação da proposta deve ser concluída entre 20 e 30 de setembro.

Se não houver mudanças, o texto garante uma economia de R$ 933,5 bilhões em dez anos, pelos cálculos do Ministério da Economia divulgados em julho.

Projeto libera crédito extra

Para abrir o caminho para a votação na Câmara, o governo se comprometeu a enviar, após a aprovação da reforma, um projeto de lei ratificando a regra que garante pensão de um salário mínimo para quem tem renda formal menor que o piso.

Também enviou ao Congresso projeto de lei para remanejar R$ 3,041 bilhões do Orçamento, facilitando a liberação de emendas parlamentares.

Para remanejar recursos, é preciso que o governo cancele gastos em outras áreas. O Ministério da Economia disse que se trata de um "remanejamento natural de despesas do orçamento, inclusive da área militar".

Para acompanhar na manhã desta quarta

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o resultado das vendas no varejo de junho. As estimativas do Projeções Broadcast para o dado vão de -0,30% a 1,40%, com mediana de 0,50%, após queda de 0,10% em maio.

A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara se reúne para discutir a liberação de novos agrotóxicos. Nesta terça, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que haverá cada vez mais aprovação de registros de defensivos agrícolas, o que é necessário para o Brasil "entrar na modernidade".

Exterior tem alívio 

No exterior, o Banco do Povo da China enfraqueceu um pouco mais o yuan nesta quarta-feira, mas a taxa seguiu abaixo dos 7 dólares, a 6,9996 yuans por dólar, ante 6,9225 yuans na véspera, apoiando o alívio nos negócios em meio a comentários de que a moeda chinesa estaria sendo artificialmente sustentada.

Além disso, após as fortes correções dos mercados na segunda-feira e sem perspectivas de um acordo comercial entre Estados Unidos e China, os bancos centrais da Índia e da Nova Zelândia anunciaram cortes de juros para tentar estimular a economia local.

Na Europa, as Bolsas tinham recuperação no início desta manhã: Londres subia 0,86%, Paris, 1,33% e Frankfurt, 1,38%. Os mercados futuros de Nova York também se valorizavam: Dow Jones tinha alta de 0,39%, S&P500 de 0,38% e Nasdaq de 0,67%. 

Na Ásia, porém, as Bolsas fecharam majoritariamente em abaixa: em Tóquio, o índice Nikkei caiu 0,33%; na China, o Xangai Composto recuou 0,32%; em Seul, o Kospi perdeu 0,32%.

A cotação do petróleo também estava em baixa: o barril Brent para outubro caía 0,56%, na ICE, em Londres, e o WTI para setembro recuava 0,43%, na Nymex, em Nova York. 

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