ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
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Com alta de imposto, litro da gasolina já chega a R$ 4,39 em SP

Em postos da capital paulista, valor do litro da gasolina subiu de R$ 0,30 a R$ 0,40; só não elevaram os preços postos que não haviam recebido novo combustível

Eduardo Laguna e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 15h33

O aumento da alíquota do PIS/Cofins sobre os combustíveis já começa a chegar às bombas de São Paulo. A reportagem do Estado percorreu postos de todas as regiões da capital paulista na manhã desta sexta-feira e constatou, no preço da gasolina, aumento de R$ 0,30 a R$ 0,40. Somente os postos que não haviam recebido novo combustível ainda não repassaram o reajuste aos consumidores.

Motoristas que abasteciam o carro classificaram o aumento como abusivo. "É um absurdo. No lugar de ajudar, apenas atrapalha", disse o coordenador de operações Érick Lopes. "Moro em Mauá e trabalho na região da Paulista. Não posso trabalhar de carro, porque gastaria muito com combustível. Só para as saídas dos fins de semana desembolso entre R$ 300 e R$ 400."

Nos Jardins, na Rua Peru, 203, o frentista Henrique Soares explicou que o combustível chegou mais caro, na quinta-feira, 20, ao posto. "Tivemos que reajustar o preço de R$ 3,99 para  R$ 4,39, nesta sexta-feira. A gasolina power, porém, ainda custa R$ 4,99. Foi mantido o valor, pelo menos por enquanto. Se aumentar mais, ninguém abastece. Com certeza, os consumidores vão reclamar", acrescentou Soares.

Na Rua Conselheiro Carrão, 501, na Bela Vista, centro da cidade, o cliente também já paga o valor da gasolina com reajuste. "Enchemos o tanque na quinta-feira, e o preço ao consumidor já passou de R$3,09 para R$3,39", reforçou o frentista do estabelecimento.

 

Em um posto na Rua Estados Unidos com a Rua Bela Cintra, o preço da gasolina ficou mantido em R$ 3,99. "Já é mais caro na região. Se aumentar, ninguém mais abastece aqui. Tirando os carros de luxo, os motoristas abastecem apenas R$ 50", salientou o frentista Joab Silva.

No posto de combustível localizado na Rua São Felipe, 271, no Tatuapé, na zona leste, também não houve reajuste por ora. "Ainda estamos com o tanque cheio da última compra, por isso não repassamos ao consumidor. O valor permanece em R$ 3,09", disse o frentista Michel.

++ Com aumento do imposto sobre combustíveis, inflação sobe

Impacto. O motorista Ricardo Ferreira está preocupado com a elevação. Ele acredita que outros setores serão prejudicados, assim como os consumidores. "Agora é a gasolina, depois os produtos, porque o frete sofrerá reajuste e o aumento será repassado para as mercadorias. Isso vai gerar impacto também na inflação. Com o aumento, quem roda pouco pela cidade é melhor optar pelo etanol", avalia Ferreira.

Na zona norte, no início da tarde de sexta-feira, o posto de combustível estava avaliando se iria aumentar o valor do litro de R$ 2,99 para R$ 3,30 ou para R$ 3,40. "Estamos analisando o impacto do reajuste e quanto será repassado aos clientes. Os motoristas estão procurando postos que ainda não reajustaram os valores", destacou a frentista Jéssica.

Crítica. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) criticou a decisão do governo de aumentar impostos cobrados na comercialização de combustíveis para melhorar a arrecadação e reduzir o rombo das contas públicas.

Em nota assinada pelo presidente da entidade, João Sanzovo Neto, a Abras diz que o reajuste nos preços dos combustíveis terá reflexo em toda a cadeia de abastecimento e representa mais um obstáculo a quem quer "empreender e crescer".

A associação avalia ainda que recorrer aos contribuintes para aumentar a arrecadação não é a melhor saída para cumprir com a meta fiscal num País com uma das maiores cargas tributárias do mundo.

"O País ainda sofre os efeitos da crise econômica e acreditamos que o caminho para a retomada do crescimento não inclui nenhuma tributação a mais", afirma a entidade ao comentar o anúncio feito pelo governo de aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis. 

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