Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Com alta do dólar, turismo no Brasil ganha força e ‘salva’ resultados de hotéis

Cresce procura por hotéis de lazer enquanto setor de negócios vê retração; Hoteis.com mais do que dobrou vendas no País e expectativa é que ocupação cresça à medida que viajante abandona exterior e cruzeiros por causa do câmbio

Fernando Scheller, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2015 | 05h00

A alta do dólar, que afeta tanto a disposição do brasileiro em viajar ao exterior quanto o mercado de cruzeiros, que é cotado na moeda americana, deve representar um “alento” para o setor hoteleiro local. A expectativa é que a taxa de ocupação no País cresça em 2015 e em 2016, em especial no setor turístico. O Hoteis.com, site especializado em acomodações que é parte do grupo Expedia, já vem percebendo essa tendência. A empresa mais do que dobrou as reservas de hotéis em cidades brasileiras no acumulado de 2015, na comparação com o mesmo período de 2014.

Apesar disso, pelo menos por enquanto, os preços estão mais baixos do que no ano passado. Segundo Neha Parikh, vice-presidente para negócios globais da Hoteis.com, o resultado brasileiro é fortemente influenciado pela comparação distorcida com o período da Copa do Mundo. 

Mas essa tendência deve se reverter, pois a busca por acomodação em destinos nacionais só tende a aumentar. Segundo Diogo Canteras, sócio da consultoria Hotel Invest, pode haver algumas exceções. Mercados como Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre sofreram uma “onda” de inaugurações de novos empreendimentos. Por isso, os preços nessas capitais vão reagir com menos velocidade.

Para o consultor, no entanto, o ciclo de alta de preços no segmento turístico deve ser relativamente longo. “Acho que a alta se estende pelo menos até 2018.” O mesmo raciocínio, ressalva Canteras, não vale para os hotéis de negócios. Em São Paulo, por exemplo, a demanda já caiu cerca de 10% este ano, de acordo com o especialista. 

Potencial. A executiva do Hoteis.com diz que a decisão da empresa de montar seu escritório para a América Latina em São Paulo reflete o potencial do mercado brasileiro. “O Brasil recebe cerca de 5 milhões de turistas estrangeiros por ano, o mesmo que a Suécia. O México, enquanto isso, recebe 20 milhões. Há muito a crescer.”

Segundo ela, os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, devem ajudar esta expansão. “Na nossa plataforma, já registramos um aumento de 400% nas buscas internacionais relativas ao Brasil.” Neha afirma que este pode ser um indicativo de que o estrangeiro está mais disposto a escolher o Brasil.

A executiva afirma que outros dois fatores podem pesar a favor do Brasil. O primeiro é o câmbio, que faz o dinheiro de americanos e europeus valer muito mais por aqui. O segundo é a boa avaliação que os turistas que vieram para a Copa do Mundo, no ano passado, fizeram do Brasil. “Cerca de 95% dos visitantes disseram que voltariam ao País, o que é um resultado muito bom.”

Nem todo mundo no mercado, porém, acredita que a Olimpíada será uma espécie de “salvação da lavoura” para o turismo brasileiro. Canteras, da Hotel Invest, frisa que os jogos vão trazer público em especial para o Rio de Janeiro, a cidade-sede. De qualquer forma, lembra ele, o Rio já é um destino internacional e mantém uma taxa alta de ocupação de quartos o ano inteiro. “O efeito para o resto do Brasil será muito pequeno.”

Exterior. A maior agência de turismo do País, a CVC, tem sentido a menor disposição do brasileiro em viajar para destinos internacionais. No primeiro semestre, a proporção de pacotes ao exterior nas vendas ficou em 35%, contra 40% do mesmo período de 2014. Até o fim do ano, a expectativa é que a fatia nacional cresça ainda mais e chegue a 70% das vendas totais.

No entanto, um novo padrão de comportamento do brasileiro que ainda se arrisca a viajar para o exterior é a redução das viagens aos Estados Unidos. Com o real fraco, Europa e América do Sul ganharam espaço. “Nos EUA, há a tentação do outlet, que faz as pessoas estourarem o cartão de crédito em compras. Na Europa, o passeio é mais cultural, tem muita coisa de graça, então acaba saindo mais barato”, explica a gerente geral da Hoteis.com para América Latina, Carolina Piber.

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