Com alta do dólar, defasagem do preço da gasolina quintuplica, mostra estudo

Diferença entre o preço do combustível no Brasil e no exterior passou de R$ 0,08 para R$ 0,40 de abril a agosto e pressiona caixa da Petrobrás

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

13 de agosto de 2013 | 17h49

RIO - A recente disparada do dólar agravou ainda mais a defasagem entre o preço dos combustíveis no Brasil e no exterior, um problema para o caixa da Petrobrás que preocupa a direção da companhia. Nos últimos quatro meses, quando a moeda americana disparou, a diferença de preço em reais por litro quintuplicou.

Estudo feito pela RC Consultores mostra que a diferença no litro da gasolina saltou de R$ 0,08 em abril para R$ 0,40 em agosto. Ou seja, as refinarias brasileiras trabalham com um preço de realização 22,9% inferior ao praticado no mercado internacional.

Ontem, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, defendeu um novo reajuste dos combustíveis. Medida, segundo ele, necessária para evitar uma piora no nível de alavancagem da companhia (dívida em relação ao patrimônio), que já supera os níveis fixados pela estatal.

O pleito da Petrobrás ainda não encontrou eco no governo, que se preocupa com os rumos da inflação. Hoje, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que "nenhum aumento de preços é bom".

O estudo da RC Consultores revela que os reajustes anunciados pela Petrobrás no início do ano já foram engolidos pela disparada do dólar. O último aumento autorizado pelo governo para a gasolina foi em janeiro, de 6,6%.

No caso do óleo diesel, o trabalho mostra que a diferença entre o preço nas refinarias brasileiras e no exterior saltou de R$ 0,09 em abril para R$ 0,46 em agosto. Uma defasagem que chega a 24,1%.

O estudo assinado pelos economistas Thiago Biscuola e Marcel Caparoz destaca que o aprofundamento da diferença de preços se deve principalmente à desvalorização de 14,4% do real neste período, uma vez que o preço internacional dos itens registraram queda.

"Tal discrepância deteriora ainda mais o caixa dos produtores brasileiros, principalmente a Petrobrás que, além disso, ainda tem elevado endividamento em moeda estrangeira", diz o relatório.

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