Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Com alta do dólar e coronavírus, gasto de brasileiros no exterior é o menor para fevereiro em 4 anos

Com a alta do dólar, as viagens de brasileiros ao exterior ficam mais caras

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 10h58

BRASÍLIA - Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 881 milhões em fevereiro, informou nesta quarta-feira, 25, o Banco Central. Esse foi o menor valor para este mês em quatro anos e foi registrado em meio à disparada do dólar e à escalada das tensões acerca do novo coronavírus.

Vale lembrar que a pandemia ganhou corpo em março, quando se intensificaram as restrições de deslocamento entre países. A tendência é de que os dados de março, a serem divulgados apenas em abril, reflitam de forma ainda mais intensa os efeitos da pandemia sobre os gastos dos viajantes.

Na comparação com fevereiro de 2019, quando as despesas no exterior totalizaram US$ 1,302 bilhão, a queda foi de 32,3%.

Em fevereiro, o dólar subiu 4,57%, no que foi a maior alta para o mês desde 2015. Com a alta do dólar, as viagens de brasileiros ao exterior ficam mais caras. Isso porque as passagens e as despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira. O papel moeda também fica mais oneroso.

Além da disparada da moeda norte-americana, em fevereiro as notícias em torno do novo coronavírus começaram a aparecer com mais intensidade. No fim de fevereiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) elevou para "muito alto" o risco mundial da epidemia da covid-19, depois reclassificado como pandemia.

De acordo com dados do BC, o mês também registrou queda dos gastos de estrangeiros no Brasil. Em fevereiro deste ano, os estrangeiros gastaram US$ 478 milhões no Brasil, com queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2019 (US$ 542 milhões).

O déficit, portanto, foi de US$ 403 milhões. No ano até fevereiro, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 1,260 bilhão. Para 2020, o BC estimava um déficit de US$ 13,5 bilhões nesta conta. O porcentual, no entanto, ainda não leva em conta os efeitos da epidemia do novo coronavírus sobre a economia. A atualização será feita amanhã pelo BC, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

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