Com alta do dólar, Fiat volta a exportar para o México

Com alta do dólar, Fiat volta a exportar para o México

Depois de três anos sem mandar veículos para o país, montadora retoma embarques, por enquanto em pequena quantidade

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2014 | 02h04

Depois de três anos sem exportar para o México, a Fiat reiniciou nas últimas semanas embarques dos modelos Palio e Strada ao país. A nova cotação do dólar, que ontem chegou a R$ 2,6870, está estimulando exportações brasileiras, afirma o presidente do grupo Fiat Chrysler para a América Latina, Cledorvino Belini.

"Ainda são poucas unidades, mas é um recomeço", diz o executivo. Em 2010, a Fiat chegou a exportar 15 mil veículos para o México.

O Brasil mantém com o México um acordo comercial no setor automotivo que já foi baseado no livre-comércio, mas agora é regido por cotas. O acordo vence em março e está sendo renegociado entre representantes das montadoras e dos governo dos dois países.

Belini trabalha com uma cotação do dólar a R$ 2,80 para o próximo ano, o que pode ajudar a minimizar as perdas das montadoras com exportações. A Fiat deve exportar este ano cerca de 50 mil veículos, ante 70 mil em 2013. A maior parte da queda vem das exportações para a Argentina.

No total das montadoras, as exportações caíram 40,6% no acumulado de janeiro a novembro, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No período, foram vendidos externamente 310,7 mil veículos, ante 523 mil no ano passado.

Nova fábrica. Além da melhora cambial, Belini conta com o novo veículo que será produzido na fábrica de Goiana (PE) a partir de março. O utilitário esportivo (SUV) Renegade, da marca Jeep, será exportado para vários países da América Latina, mas a quantidade ainda não está definida.

A segunda fábrica do grupo no Brasil terá capacidade para 250 mil veículos anuais, mas no primeiro ano de operação serão 100 mil unidades.

Para o escoamento interno desse novo produto, o grupo ampliará a rede de concessionárias Jeep das atuais 43 para 200 lojas em 2015. "O segmento de SUVs, responsável por 6% das vendas atualmente, deve ampliar essa participação para 13% até 2018", prevê Belini.

A unidade de Goiana será inaugurada no primeiro trimestre com cerca de 2 mil funcionários, mas o projeto todo, incluindo o parque com 16 fornecedores de componentes prevê 9 mil empregos quando estiver operando em plena capacidade.

A fábrica pernambucana vai produzir um segundo veículo nos próximos dois anos, informa Belini, sem dar detalhes. Já a unidade de Betim (MG), ganhará quatro novos carros neste período.

Belini acredita que as vendas de automóveis e comerciais leves encerrem o ano com queda de 8% a 9% em relação a 2013, para cerca de 3,3 milhões de unidades. Para 2015 ele prevê estagnação no mercado.

A Fiat vai terminar 2014 na liderança do mercado pelo 14.º ano seguido. Neste ano, também deve ter o Palio como o carro mais vendido no País. Se não houver nenhuma mudança de última hora, o modelo da marca vai ultrapassar o Volkswagen Gol pela primeira vez. O Gol é líder de vendas há 27 anos.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. PauloFiatMéxico

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.