Com alta do petróleo, governo avalia subir preço da gasolina

Lula recebe nesta quinta o presidente da Petrobras. A alta dos combustíveis está na pauta

Fernando Nakagawa, Fabio Graner e Célia Froufe, da Agência Estado,

24 de abril de 2008 | 13h09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá às 19h30 o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. A audiência ocorre em meio às especulações em torno de um possível aumento nos preços da gasolina e do diesel, que estão sem reajuste há 31 meses. O fato é que o preço do petróleo no mercado externo vem batendo recordes sucessivos e, em algum momento, está alta será repassada para o consumidor interno.   Veja também: Barril da Opep bate oitavo recorde histórico, a US$ 111,14 Petróleo bate recorde com sinais de demanda forte na China Estamos pagando por política de energia ineficaz, diz Bush Opep vai aumentar produção em 5 mi de barris diários até 2012 A maior jazida de petróleo do País A exploração de petróleo no Brasil    Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) , o Banco Central manteve a previsão de que os preços da gasolina não devem subir em 2008. Os diretores do BC, no entanto, afirmam que aumentou a possibilidade de alteração desse cenário, com eventual aumento de preço. Eles admitem que o petróleo é "fonte sistemática de incerteza" e que seu preço "elevou-se consideravelmente desde a última reunião do Copom e continua altamente volátil".   Esse aumento de preços, ainda que não gere por enquanto aumento da gasolina e do gás de cozinha, diz o texto, "se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica".   Para o BC, o aumento do petróleo reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial, "que têm impedido a recuperação dos níveis de estoques tradicionalmente observados". Tensões geopolíticas recorrentes também seriam a outra fonte de pressão sobre os preços.   Expectativa é de alta   Economistas que participaram nesta manhã do 11º Seminário Tendências: Perspectivas da Economia Brasileira - Cenário Doméstico e Crise Externa, em São Paulo, foram unânimes ao afirmar que o aumento do preço internacional do barril de petróleo deve ser repassado para o consumidor brasileiro, ainda que o Banco Central não conte com essa perspectiva.   "Minha projeção de inflação em 5% este ano já incorpora um reajuste de 5% para o preço da gasolina na bomba", disse o diretor de pesquisas econômicas do Bradesco, Octavio de Barros. O documento do Banco Central manteve o cenário de gasolina estável em 2008.   Para Gustavo Loyola, que foi presidente do BC e hoje é sócio da Tendências Consultoria Integrada, a autoridade monetária já poderia incorporar esse cenário de repasse de preços de alta de petróleo em suas análises.   Ele ressaltou que a Petrobras é uma companhia de capital aberto e que não pode manter essa distorção por muito tempo. "Há outros combustíveis sendo reajustados. Por que só a gasolina não?", questionou.   Mailson da Nóbrega, que foi ministro da Fazenda e atualmente é sócio da consultoria, comentou que o repasse ainda não foi visto porque, conforme o governo já sinalizou por várias vezes, esta é uma decisão política, não técnica.   "Isso não é correto", avaliou, acrescentando que o cenário é o de que não haja aumento dos derivados do petróleo no curto prazo, ainda que a defasagem esteja entre 15% e 20% em relação aos preços internacionais. "A permanência de recordes de preços externos do barril de petróleo pode fazer com que o governo reconsidere sua análise e se convença a reajustar os preços", analisou.   Outro ponto destacado por Mailson como negativo é o da interferência do não-reajuste no setor privado doméstico. "Manter os preços artificialmente baixos influencia o preço do álcool e isso surpreende justamente num governo que faz propaganda do produto", disse. "Isso bloqueia o estímulo aos investimentos e, daqui a pouco, o setor privado moverá uma ação contra o governo", continuou.

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