Com alta dos alimentos, comer fora ficará até 15% mais caro

Justificativa é a inflação dos alimentos, que triplicaram em abril e pressionaram a inflação

Gisele Silva, do estadao.com.br,

26 de abril de 2008 | 11h02

A alta no preço dos alimentos terá um impacto de até 15% para quem come fora, prevê o presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci Júnior. Refletindo principalmente as elevadas cotações internacionais, os preços dos alimentos triplicaram em abril, pressionando a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) do mês, divulgado nesta sexta-feira, 25.  Entenda a crise dos alimentos no mundo   Os preços do grupo Alimentos subiram 1,28% no mês, ante alta de 0,40% em março, contribuindo com 0,28 ponto percentual do IPCA-15 do período. Os custos do óleo de soja saltaram 8,82% e os farinha, 3,71%. Segundo Solmucci, as classes mais baixas sentem mais o impacto por conta da composição de arroz e feijão nas refeições, os dois itens estão entre os que mais subiram nos últimos meses.  "O arroz tem um impacto muito pequeno em um prato sofisticado de restaurantes de classe média alta. O impacto é muito maior para quem come por quilo e o chamado prato feito", disse. Ainda segundo ele, a média do repasse no mercado como um todo fica entre 6% e 7%.  Os preços do arroz no mercado interno subiram cerca de 30% nas últimas semanas, o que provocou reação do governo para conter os preços. Apesar dessa oscilação, o presidente da Abrasel descartou o risco de desabastecimento e diz que bares e restaurantes não estão fazendo estoque. "O empresário sente que as medidas (do governo) o protegem, o que é inevitável é o repasse de preço", diz.  Na última quinta, o governo se reuniu com a iniciativa privada e decidiu iniciar no dia 5 de maio leilões de parte dos estoques públicos de 1,4 milhão de toneladas da Conab. Serão ofertadas 55 mil toneladas do cereal, com preço de abertura de R$ 28,00 por saca de 50 quilos tipo 1 com rendimento 58/10. Os remates dos estoques públicos serão semanais, mas o volume dos próximos leilões ainda serão definidos e levarão em consideração o resultado da primeira oferta. Além dos leilões semanais, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes disse que não há nenhuma outra medida em estudo para evitar uma nova alta dos preços do cereal no mercado interno. "Nesse momento, nenhuma medida está sendo avaliada. Até porque, se houver uma pressão de alta, está pressão virá de fora e será suficientemente forte para termos condições de neutralizar", afirmou.

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