Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa fecha com leve queda apesar do tombo de Nova York; dólar fica a R$ 5,61

Ibovespa perdeu apenas 0,24% nesta segunda, enquanto os índices americanos tiveram baixas em torno dos 2%, devido a um impasse no acordo por mais estímulos nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 11h08
Atualizado 26 de outubro de 2020 | 18h12

A aversão aos riscos vista no exterior teve leve peso na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, nesta segunda-feira, 26, que com a ajuda do setor financeiro, fechou apenas em leve baixa de 0,24%, aos 101,016,96 pontos. Com o resultado, o Ibovespa se descolou das bolsas da Europa e Nova York, que fecharam em baixas na casa dos 2%. Na sessão de hoje, o investidor acompanhou com desconfiança a chance de um acordo por mais estímulos nos EUA. No entanto, mesmo com as incertezas, o dólar fechou com leve queda de 0,26%, a R$ 5,6151.

Nesta segunda, a presidente da Câmara dos Representantes em Washington, Nancy Pelosi, disse que as partes precisam chegar a um acordo para estímulos fiscais "o mais rápido possível", mas mencionou divergências entre republicanos e democratas. Entre elas, está a recusa da Casa Branca de incluir um plano de testes para o coronavírus nas medidas, apesar da doença ter voltado a avançar nos EUA. Em resposta, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com fortes quedas de 2,29%, 1,86% e 1,64% cada em Nova York.

Na Europa, o avanço do coronavírus nos países locais também preocupa, com vários governos adotando medidas mais duras de isolamento para evitar que a doença volte a ganhar força por lá. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu "atuação conjunta na União Europeia" para combater o alastramento da doença. Em resposta, algumas das principais bolsas da região tiveram perdas acentuadas, com destaque para a baixa de 3,71% do mercado acionário de Frankfurt.

Essas incertezas também refletiram no petróleo: nesta segunda, o WTI para dezembro caiu 3,24%, enquanto o contrato do Brent para o mesmo mês recuou 3,14%. A queda da commodity no exterior afetou diretamente as ações da Petrobrás, com PN e ON fechando em baixas de 1,56% e 1,42%. Vale ON também caiu 1,50%. 

Por aqui, além da expectativa positiva para os balanços do terceiro trimestre, a atenção se volta nesta semana para o comunicado do Copom na próxima quarta-feira, 28, no qual espera-se algum sinal quanto a um eventual aumento da Selic em 2021, ante o encurtamento de prazos e a elevação de custos para o financiamento da dívida pública, com R$ 643 bilhões em vencimentos no primeiro quadrimestre.

"A inflação se tornou um ponto de atenção do nosso lado, com a leitura da última sexta-feira, acima do esperado para o IPCA-15, contribuindo para puxar o DI um pouco mais para cima. No exterior, há armas fiscais e monetárias para combater a crise. Nos EUA, ainda há expectativa para novo pacote, mesmo que leve mais tempo. Aqui, não temos o fiscal, e o monetário já não está tendo tanto efeito - se tiver inflação, o bicho pode pegar", observa Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimento.

Nesta segunda, a relativa recuperação do setor bancário observada recentemente contribuiu para moderar as perdas do Ibovespa. Hoje, destaque para Santander, com alta de 3,74% e Bradesco PN, com 1,24%. Desempenho positivo também para o setor elétrico, em especial Eletrobrás PNB, com 1,23%. No lado oposto, Multiplan cedeu 4,29%, CVC, 4,25%, e Gol, 3,61%. Com o resultado de hoje, a Bolsa tem ganho de 6,78% no mês, mas ainda cede 12,65% no ano. O giro financeiro foi fraco, de apenas R$ 21,9 bilhões.

Câmbio

O dólar operou de lado ante o real nos negócios da tarde, enquanto investidores aguardam desdobramentos sobre o pacote de estímulos nos Estados Unidos, cada vez menos provável de ser aprovado antes das eleições, e da agenda de reformas fiscais do Brasil, que está parada e só deve andar em novembro. A moeda americana subiu no exterior, pressionada também pelo aumento de casos de coronavírus ao redor do mundo, mas aqui ficou mais comportada, segundo operadores, por conta de um movimento de realização de ganhos após as valorizações recentes, em ritmo mais forte que outros emergentes, além de vendas de exportadores.

No ano, o dólar acumula alta de 40%. Ainda nesta segunda, a moeda para novembro fechou com leve alta de 0,06%, a R$ 5,6265. O giro financeiro de hoje somou apenas R$ 10,7 bilhões.

Os estrategistas do Rabobank, Mauricio Une e Gabriel Santos, relatam que o clima no mercado nestes dias é basicamente de espera que as eleições, aqui e nos EUA, destravem decisões fiscais importantes. "Esperando e torcendo pelo melhor", destacam em relatório.

Em Washington, a expectativa é pelas medidas para estimular a economia. No Brasil, por medidas que mostrem controle de gastos e como vai ser o financiamento do novo programa social do governo. Os dois economistas do Rabobank observam que o governo brasileiro tem dado declarações positivas sobre a responsabilidade fiscal, mas faltam avanços concretos./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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