Com alta em países emergentes, produção industrial global afasta estagnação de 2007

Enquanto países em desenvolvimento apresentam crescimento, economias avançadas ainda tentam recuperar níveis da indústria antes da Grande Recessão

FLOYD NORRIS, The New York Times

21 de julho de 2014 | 13h56

A produção industrial de todo o mundo sofreu queda acentuada após o início da Grande Recessão, e a recuperação nas economias mais avançadas ainda não foi completa. Mas esse não é o caso de muitas economias emergentes, cuja produção atinge agora novos patamares.

Nessa semana os Estados Unidos anunciaram um aumento de 0,2% na produção industrial excluindo a construção, uma alta de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Trata-se de um crescimento mais acelerado do que o apresentado recentemente por qualquer uma das grandes economias avançadas, mas continua muito abaixo da velocidade de crescimento de países como China e Índia.

Os níveis de produção industrial desde o final de 2007, quando a recessão começou nos EUA, mudaram. O mais recente anúncio indica que a produção nos EUA em junho foi 3% superior à registrada em dezembro de 2007. Mas isso decorre principalmente do aumento na produção de petróleo e gás. A produção geral do setor das manufaturas continua um pouco abaixo dos níveis anteriores à recessão, embora a produção na indústria de automóveis tenha se mostrado robusta.

O governo holandês reúne informes de produção industrial vindos de 27 economias avançadas e 54 economias em desenvolvimento em todo o mundo, calculando as médias internacionais. O mais recente relatório mostra que a produção mundial em abril foi quase 12% maior do que a registrada no final de 2007, mas a produção nas economias avançadas era quase 5% inferior à observada naquele período.

Nas economias emergentes, a produção tinha aumentado em mais de um terço em relação ao patamar de 2007, principalmente em decorrência do desempenho dos países asiáticos, cuja produção aumentou em mais de 60%.

A China só divulga informações envolvendo variações anuais, o que torna difícil calcular uma estimativa de crescimento mensal, mas parece que a produção do país praticamente dobrou em relação a 2007. Na Índia, a produção aumentou quase um quarto desde o início da recessão.

A prosperidade asiática não ajudou o Japão, maior economia avançada da região. O mais recente número da produção no país é quase 14% inferior ao registrado em 2007.

Até 2011, a produção industrial na Alemanha - terceira maior exportadora do mundo, atrás da China e dos EUA - teve recuperação mais rápida do que a observada na produção dos EUA. Mas, desde então, houve uma estabilização. Em maio, a produção continuava 3% abaixo do nível de 2007.

Mas isso é um resultado muito melhor do que o apresentado pelos demais países principais da zona do euro. No geral, a produção na zona do euro está 11% abaixo da registrada em 2007. Entre os três maiores países da zona do euro além da Alemanha, a França teve o melhor desempenho, com a produção ainda 15% abaixo dos níveis anteriores à crise. Na Itália, a produção ainda está 22% abaixo da marca de referência e, na Espanha, a diferença é de 28%.

Uma exceção em meio à estagnação da zona do euro parece ser a Irlanda, onde a produção é hoje um pouco superior ao nível de 2007. Em maio, a produção do país apresentou aumento de mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, desempenho muito melhor do que o conseguido pelas grandes economias do euro.

Na Grã-Bretanha, que não faz parte da zona do euro, a produção também parece ter estagnado. Em maio, a produção britânica foi 12% inferior ao número de 2007. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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