Clayton de Souza/ Estadão
Clayton de Souza/ Estadão

Com alta nas carnes, prévia da inflação de dezembro é a maior para o mês desde 2015

IPCA-15 avançou 1,05%, segundo o IBGE; preço das carnes subiu 17,71%, sendo responsável por 0,48 ponto porcentual do índice

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2019 | 10h12
Atualizado 20 de dezembro de 2019 | 16h52

RIO - O aumento nos preços das carnes, impulsionado pela maior demanda chinesa, foi o principal fator de pressão na prévia da inflação oficial do País em dezembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) acelerou de uma alta de 0,14% em novembro para avanço de 1,05% em dezembro, a maior taxa para o mês desde 2015, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do salto, o cenário não traz riscos adicionais para a condução da política monetária, avaliou o economista Helcio Takeda, da consultoria Pezco Economics. Para ele, o índice foi "pressionado por muitos fatores pontuais".

"Todos esses fatores de alta devem desaparecer ou começar a mostrar algum alívio a partir de janeiro. Temos a impressão de que isso não deve contaminar as expectativas de inflação para 2020", disse o economista da Pezco.

Os preços das carnes subiram 17,71% somente no último mês.  Deram uma contribuição de 0,48 ponto porcentual para o IPCA-15, quase metade da inflação.

Para a economista Julia Passabom, do Itaú Unibanco, o fenômeno é pontual. Ela espera que haja alguma devolução desse aumento dos preços já no primeiro semestre de 2020.

"Só ontem (dia 19), o preço da arroba do boi no atacado caiu 9%. Nós vimos uma alta desses preços em novembro, que está sendo repassada para o varejo agora, mas começamos a observar um movimento de reversão", argumentou Julia.

As famílias gastaram 2,59% mais com Alimentação e Bebidas no mês de dezembro. Houve pressões também do feijão-carioca (20,38%) e das frutas (1,67%). Por outro lado, as famílias pagaram menos pela batata-inglesa e pela cebola.

O reajuste nas apostas de loteria teve o segundo maior impacto sobre a inflação. Os jogos de azar aumentaram 36,99%. Também ficaram mais caros os combustíveis e as passagens aéreas. Na direção oposta, houve recuo nos preços de TV, som e informática (-2,09%) e mobiliário (-1,16%).

A taxa acumulada pelo IPCA-15 em 12 meses passou de 2,67% em novembro para 3,91% em dezembro. Ou seja, a prévia da inflação oficial ainda encerrou o ano de 2019 consideravelmente abaixo da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central.

Para 2020, o Itaú Unibanco prevê uma inflação de 3,5%, aquém da meta de 4,0% para o ano. O banco estima que o Comitê de Política Monetária do BC faça mais dois cortes na taxa básica de juros, encerrando o ciclo de queda em 4,0% ao ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.