Gabriela Biló/Estadão
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Com alta nos combustíveis, prévia da inflação sobe 0,30% em julho

A gasolina teve aumento de preço de 4,47%, depois de quatro meses seguidos de queda; o transporte por aplicativo e as passagens aéreas ficaram mais baratas

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2020 | 09h28

RIO E SÃO PAULO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), que serve como prévia do indicador oficial de inflação, avançou 0,30% em julho, informou nesta sexta-feira, 24, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta ficou acima da vista em junho – quando o IPCA-15 ficou perto da estabilidade, com 0,02% –, mas ficou abaixo das projeções de analistas do mercado financeiro, que esperavam uma alta entre 0,35% a 0,58%, conforme pesquisa do Projeções Broadcast.

Como esperado, a inflação foi marcada pela alta dos preços da gasolina, impulsionados pela recuperação das cotações internacionais do barril do petróleo – que são repassados quase imediatamente ao consumidor, conforme a atual política de preços da Petrobrás. Só que os alimentos ficaram mais baratos, e mesmo os gastos do grupo Transportes não ficaram tão mais caros, já que as passagens aéreas tiveram queda nos preços.

“O resultado passou um sinal de enfraquecimento ou, pelo menos, de não recuperação da atividade, denotando que ainda estamos muito aquém do nível ideal”, afirmou o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

O avanço de 1,11% do grupo Transportes contribuiu com 0,22 ponto porcentual (p.p.) da alta de 0,30% do IPCA-15 de julho. Os combustíveis avançaram 4,40%, com altas de 4,47% na gasolina e de 4,92% no etanol. Outro grupo que contribuiu para a inflação foi Habitação, que avançou 0,50%, contribuindo com 0,08 p.p. da alta agregada do IPCA-15 de julho. O movimento foi puxado pela conta de luz, que subiu 1,03% na média nacional.

Mesmo sendo o principal responsável pela alta do IPCA-15 de julho, o grupo Transportes não subiu mais fortemente porque as passagens aéreas ficaram 4,16% mais baratas. Os grupos Vestuário e Alimentação e bebidas também seguraram o ímpeto do IPCA-15. Com deflação de 0,91%, o Vestuário registrou o principal impacto negativo no índice agregado, com -0,04 p.p. Alimentação e bebidas recuou 0,13%, com impacto negativo de 0,03 p.p.

De acordo com o economista-chefe e sócio da Pezco Economics and Business, Hélcio Takeda, e com o economista-chefe do banco MUFG Brasil, Maurício Nakahodo, os alimentos foram a grande surpresa do IPCA-15 de julho. A deflação nesse grupo foi registrada após quatro meses seguidos de alta no IPCA-15, informou o IBGE.

O movimento foi puxado pela alimentação no domicílio, que caiu 0,20%. Ficaram mais baratos o tomate (-22,75%), a batata-inglesa (-20,70%), a cenoura (-18,60%) e a cebola (-7,09%). Também caíram os preços do frango inteiro (-1,22%) e do ovo (-1,82%). As baixas compensaram as altas do leite longa vida (3,61%), do arroz (2,58%) e das carnes (2,20%). A alimentação fora do domicílio ficou perto da estabilidade, com alta de apenas 0,03%.

Com a surpresa, ainda de manhã, os juros futuros abriram a negociação em queda no pregão desta sexta-feira, 24. A inflação mais comportada dá mais espaço para o Banco Central (BC), diante da recessão, promover mais cortes na taxa básica de juros, a Selic (hoje em 2,25% ao ano, na mínima histórica). Às 9h26, no mercado secundário de juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caía a 1,97%, após a máxima em 2,005%, ante os 2,03% no ajuste de quinta-feira, 23.

Com isso, nos cálculos do economista-chefe do Haitong Banco de Investimentos, Flávio Serrano, as chances de mais uma redução “residual”, de 0,25 ponto, na Selic aumentaram de 45% na quinta-feira, 23, para 55% na manhã desta sexta. Há ainda, nos cálculos do economista, mais 10% de chances de outro corte, em setembro. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC para decidir sobre os juros será em 4 de agosto.

“Essa é uma boa surpresa para quem espera uma taxa de juro tranquila”, disse Takeda, da Pezco. No entanto, de acordo com Takeda, o BC deveria esperar e avaliar o processo de recuperação da economia antes de fazer novos cortes na Selic. “Se a retomada for mais forte, o BC poderá se ver obrigado a aumentar a Selic mais rápido”, completou o economista. / VINICIUS NEDER, CÍCERO COTRIM, SILVANA ROCHA, RENATA PEDINI, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E GREGORY PRUDENCIANO

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