Com AmBev, Bovespa fecha o dia em alta, na contramão de NY

Notícia de que governo dos EUA vai ajudar agências hipotecárias também ajuda e Bolsa de SP sobe 0,95%

Claudia Violante, da Agência Estado,

14 de julho de 2008 | 17h39

A notícia de que o governo norte-americano vai ajudar as duas principais agências de hipotecas norte-americanas serviu de justificativa para cessar as ordens de vendas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Além disso, a alta nas ações da AmBev após o anúncio da fusão com a  Anheuser-Busch ajudou a Bolsa doméstica. Assim, o principal índice abriu a semana em alta, na contramão de Wall Street, que caiu. O setor financeiro foi destaque negativo por lá, por causa das dúvidas sobre como se dará a ajuda a Freddie Mac e Fannie Mae, do alerta da Goldman Sachs sobre os bancos médios e, por fim, dos rumores de que o Lehman Brothers vai fechar o capital.   Veja também: Entrada de recursos anula piora externa e faz dólar cair BC dos EUA aprova mudanças em regras para hipotecas   O Ibovespa terminou o dia em alta de 0,95%, aos 60.720,9 pontos. O índice oscilou entre a mínima de 60.156 pontos (+0,01%) e a máxima de 61.306 pontos (+1,92%). As perdas em julho diminuíram para 6,61% e as do ano até esta segunda, para 4,95%.   Entre as ações que compõem o Ibovespa, o principal destaque de alta foi AmBev, que registrou ganho de 4,87%. Os investidores reagem ao anúncio de que a InBev, controladora da empresa brasileira, anunciou a combinação de seus negócios com a norte-americana Anheuser-Busch. A InBev pagará US$ 70 por ação da Anheuser-Busch, o equivalente a US$ 52 bilhões.   Em anúncios separados no domingo, o Tesouro e o Fed deixaram claro que o governo federal considera necessário ajudar as agências hipotecárias, cujas ações despencaram na última semana com temores sobre a solvência delas. Em um passo dramático para ajudar a estabilizar as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, os reguladores financeiros dos EUA permitirão que as empresas tomem recursos emprestados diretamente do Federal Reserve e propuseram ao Tesouro a autoridade de assumir uma participação nas agências.   Logo cedo, as ações em Wall Street até abriram em terreno positivo, mas o fôlego foi curto, já que os investidores engataram ordens de vendas em função das dúvidas sobre como a ajuda se dará. Um alerta do Goldman Sachs de que os bancos regionais dos EUA poderão ter que cortar dividendos para restabelecer o capital e os rumores de que o Lehman Brothers poderá fechar o capital para, de modo a evitar um arranjo como o da venda do Bear Stearns, completam o quadro negativo que se instalou nesta segunda em Nova York.   O Dow Jones terminou a sessão em baixa de 0,41%, aos 11.055,2 pontos, o S&P recuou 0,90%, aos 1.228,30 pontos, e o Nasdaq caiu 1,17%, aos 2.212,87 pontos.   Na Bovespa, os investidores usaram a notícia para interromper, mesmo que momentaneamente, a queda acumulada pelo índice no mês. "Como já houve uma zeragem muito grande de venda, os investidores se acalmaram hoje para esperar pelo que vai acontecer", comentou um profissional do mercado ao lembrar que a agenda da semana é carregada nos próximos dias. As compras de ações, que ocorreram de forma generalizada, também acabam servindo como um colchão que pode ser usado para os momentos de maior volatilidade.   Mas as aquisições não foram muito exuberantes, sinal de que o quadro ainda é de cautela. Mostra disso está no volume financeiro tímido, de apenas R$ 4,286 bilhões (preliminar). Os setores de siderurgia e energia fecharam no azul, assim com as blue chips Vale e Petrobras. No setor financeiro, os bancos não terminaram num sentido único.   Para esta terça, a história deve ser diferente, já que a temporada de balanços começa a mostrar números mais relevantes - são destaques nesta terça-feira Intel e Johnson & Johnson. Além disso, saem o PPI e as vendas no varejo, aqui e nos EUA, e Bernanke vai falar. Esse, no entanto, é um ponto que pode ajudar as compras de ações, já que o presidente do Fed pode tranqüilizar um pouco mais o mercado financeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
BovespaMercado Financeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.